A HISTÓRIA DE TODOS NÓS 


 CAPÍTULO 6


Mencionou que o luto de seu pai, Airton fez ela e sua família voltarem para a igreja.
Elen contou que seu pai, após muito lutar contra uma doença, acabou falecendo.
A moça contou que havia rezado muito para que seu pai se salvasse daquela doença, mas que Deus não havia atendido seu pedido. 
Pelo menos, não da forma como gostaria. 
Destacou que com o tempo entendeu que Deus tinha outros planos para ele. 


No entanto, Elen mencionou que ficou revoltada e descrente, e chegou a pensar que Deus a havia abandonado. 
Contou que a dor, num primeiro momento, a fez se afastar ainda mais de Deus.


Curiosa Naiara, perguntou o que a fez mudar de ideia.


Elen então contou que uma vizinha chamada Marta, resolveu visitar sua família após o enterro de seu pai.


Relatou que Marta contou a sua mãe, Aline, que também havia perdido seu marido. 
Mencionou que em virtude de uma doença rara, e que durante o processo de evolução da doença, rezou muito para que ele se curasse.
Contudo, nada de Nivaldo seu marido, se curar.
Ora melhorava um pouco, para piorar depois.
Em dado momento, percebendo o sofrimento de seu marido, ela constatou que seu pedido não estava correto.
Chorando e conversando com Deus, ela constatou que pedir para ele continuar vivendo, só aumentaria a dor e sofrimento dele.
Marta disse que chorando, porém, que não conseguia aceitar a provável morte de Nivaldo.
Dizia que ele fora um homem muito bom, generoso e que não merecia passar pelo que estava passando. 
Não entendia por que uma pessoa tão boa, tinha que sofrer tanto. 
Não conseguia entender os desígnios de Deus. 
Por que pessoas boas deviam sofrer tanto, enquanto nada afetava os maus?
Era o que se perguntava.
Marta mencionou que frequentava as missas, e rezava breves orações em casa. 
Se julgava muito católica.
Até que um dia, conversando que uma senhora que servia na igreja, a mesma lhe contou que os bons eram provados, para que com sua resignação e paciência fossem forjados nas virtudes, e com isto pudessem alcançar o Reino dos Céus, pois como Cristo dissera que seu Reino não era deste mundo, nós também não somos deste mundo, e apenas estamos nele para vivermos uma experiência de provas, lutas e de vitórias, para que com isto possamos ir para o Céu e lá ficarmos com Ele em Sua Glória.  
Marta comentou que tentou argumentar, dizendo que ainda assim, não entendia tanta dor e sofrimento para tantas pessoas, sendo que muitas delas só fizeram o bem.
A senhora, mencionou que todos nós sofremos, uns mais e outros menos, mas a dor é inerente a condição humana. 
Perguntou a Marta se além da doença do marido, tudo foram flores em seu relacionamento, e ela respondeu que não. 
Disse que Nivaldo era um homem bom e generoso, mas que também era muito teimoso, e que brigaram muitas vezes por isto.                
A senhora riu. 
Comentou que ela devia ter passado por uns maus bocados por conta da teimosia dele.
Marta concordou.
Rute, a senhora, continuou: 
- Então, se nem em seu relacionamento feliz, as coisas foram fáceis, houve conflitos, imagine para o restante da humanidade. Imagine para Jesus lidar com pessoas de mentalidades tão diversas. Culturas e costumes tão diferentes! Cristo nos amou, amou tanto que sofreu tudo por nós, até morte de cruz. Pois então, imagine ser flagelado, açoitado, ter pedaços seus arrancados, ser coroado de espinhos, ser humilhado, receber bofetadas, escarradas, ser escarnecido, ter pedaços de sua pele arrancada, carregar uma cruz pesada, já exausto de tanto apanhar, ser pregado em uma cruz, ter seus membros dilacerados para caber na cruz, ser pregado nela, sem anestésicos. Morrer, sentir medo, agonia, responder por um crime que nem era Dele. Pois bem, Ele sofreu tudo isto sem reclamar, por amor de nós, de todos nós! E assim … eu não quero desmerecer sua dor, que eu sei ser grande, pois quando a gente sofre, a nossa dor é a maior do mundo … não quero dizer que seja fácil! Não é, mas peça ajuda a Deus, ao Espírito Santo. Diga ao Espírito Santo, para ajudá-la a passar por este momento, esta noite escura em sua vida, este deserto; e que Deus faça o que for o melhor para seu marido.
Marta ao ouvir tais palavras, se assustou, e indignada, disse que não iria fazer nada daquilo, e que ela não tinha o direito de sugerir isto para ela.
Afastou-se, e durante algum tempo não frequentou a missa.
Marta, destacou que ficou com raiva da mulher.


Até que passando o tempo, Marta, percebeu o sofrimento do marido.
Continuava a pedir com insistência sua cura.
Seus filhos ainda pequenos choravam.
O menor certo dia, vendo o pai sentir muitas dores, disse que não aguentava mais ver seu sofrimento, e que se não fosse para ele ficar bom, que Deus poderia levá-lo para ficar no Céu junto com os anjos, já que lá ele não iria mais sentir nenhuma dor.
Marta perguntou-lhe de onde ele havia tirado tal ideia, e Carlos o menino, respondeu:
- Foi a professora lá na escola que falou: “Jesus cuida das pessoas que sofrem. Que a morte não é uma coisa terrível como as pessoas pensam! Que a morte é apenas uma passagem, e que todos nós iremos passar por ela. Que é a única certeza da vida. E que num sofrimento, ela pode ser uma libertação!”
Marta, ao ouvir as palavras do filho, ficou a pensar.
Relatando o caso a mãe de Elen, Marta, comentou que os anjos às vezes se utilizam de crianças para transmitir sua mensagem.
Com isto, Marta relatou que passou a entender que seu marido não se curaria para a terra, e sim para o céu.
Tal pensamento lhe trouxe grande dor. 
Mas também lhe trouxe o entendimento do que se passava.
Com o tempo, ela passou a entender que Nivaldo estava se despedindo.
E assim passou a pedir uma morte digna, sem sofrimento, ou ao menos com o mínimo sofrimento possível, e que ele pudesse fazer a passagem em paz e sem medo, com dignidade. 
E se possível, morresse dormindo.
E assim se deu. 
Em um dia o homem apresentou um leve quadro de melhora.
Nos dias que se seguiram, piorou.
Até um dia, depois de conversar um pouco com os filhos e vê-los brincar, o homem adormeceu.
Seu semblante parecia tranquilo.
Quando Marta se aproximou para ministrar os remédios para Nivaldo, percebeu que o homem não mais respirava. 
E muito embora tivesse pedido para que ele partisse em paz, sua morte lhe causou um certo abalo.
Marta chorou, sentiu pesar, e continuou a questionar por que Nivaldo precisava passar por aquilo.


Com o tempo, entendeu que a morte foi o melhor remédio para o marido que muito sofreu.
Entendeu que o sofrimento talvez lhe tenha poupado um longo e sofrido purgatório.
Durante a doença do marido, Marta aprendeu a fazer a entrega, a pedir para unir a dor do marido aos sofrimentos da Cruz de Cristo.
Nivaldo mesmo em meio a dor, às vezes lembrava-se de oferecer sua dor para Cristo.
Com dificuldades na fala, dizia que se fosse merecedor de cura, seria curado e não teria nenhuma sequela da doença. 
Caso contrário, se curaria no céu.
Marta ouvia isso, num primeiro momento o censurava, depois passou a entendê-lo.


Certo dia, ouvindo um louvor, Marta entendeu o que era essa entrega de que tanto as pessoas falavam.
Era uma música tão bonita que ela nunca mais se esqueceu.  
A canção “Enquanto eu Te Adoro”, dizia assim: 


“Eu vivo um milagre, todos os dias,
Eu vivo promessas, que eu não mais pedia…


Enquanto eu Te adoro,
Você vai me curando,
Enquanto eu Te busco,
Sua mão opera o que eu não consigo fazer,
E sem eu perceber, vou sendo transformado(a) …


Cura Jesus, 
Cura Jesus, 
Se o Senhor quiser, 
Se o Senhor quiser
Mas se não quiser, ainda assim, Te adorarei ...”  
(Flávio Vitor)


Marta, lembrou-se das inúmeras vezes que ouviu esta música, e sempre que a dor apertava, trazia a melodia em seu coração. 
Literalmente guardou a música no coração.
Relatou que seguiu o exemplo de Nossa Senhora que guardava tudo no coração.
Isto serviu para confortá-la em diversos momentos de dor e de dúvida.
Seu filho Carlos, também ouviu a música com a mãe, e esta canção passou a ser seu consolo também.  


Não obstante isto, mesmo após a morte do marido, Marta, ficava questionando os desígnios de Deus.
Agnes, ao ouvi-la comentou seu sofrimento era grande, mas não era maior que o de Jesus na Cruz, e que se Ele sofrera, quem eramos nós para não passarmos pelo sofrimento? 
Comentou que também era viúva, e que teve criar os filhos sozinha após a morte do marido. Relatou que seus dois garotos eram homens de bem, estavam casados, e que ela já era até avó.
Marta ficou admirada.
Agnes comentou que sua vida não fora nada fácil, mas que com a ajuda de familiares e amigos conseguiu superar as dificuldades e criar bem os filhos, e que mesmo em meio a toda dificuldade, conseguiu auxilio e bons conselhos. 
Em dado momento, mencionou que a dor nunca a fez perder o norte da vida.
Marta conversou longamente com ela, e entendeu que conselhos são bons, mas é o exemplo que arrasta.
Agnes com seu exemplo, e testemunho de vida, ensinou-lhe mais que discursos ensaiados de quem não viveu o olho do furacão.
Marta comentou que foi seu filho Carlos que lhe ensinou algumas coisas sobre o sofrimento do pai. Pois o menino lhe mostrou em uma conversa que ela deveria aceitar a passagem de Nivaldo. Enfim sua morte. 
Mencionou que Dona Rute, tentou alertá-la, mas ela não lhe deu ouvidos. 
Até que a dor a ensinou.
Marta por sua vez, comentou com Aline, que foi através desse processo, que voltou para a igreja.


E assim, quando novamente encontrou a senhora, Marta cumprimentou-a.
Rute correspondeu ao cumprimento.


Com o tempo, mais integrada a comunidade, Marta, descobriu que Rute era catequista, e que havia tido muitas perdas ao longo de sua vida. 
Seus pais morreram de câncer, sua irmã e um irmão também. 
Não havia se casado, e passara a vida servindo na igreja.


Marta percebeu como a própria Rute havia dito, que todos passavam pela noite, escura, pelo deserto.     
Com o tempo, desculpou-se com a mulher, e passaram até a ter uma certa amizade.
Marta disse então, que participou da catequese de adultos. 
Leu a Bíblia, estudou o Catecismo da Igreja Católica, entre outros livros, assistiu pregações, acompanhou formações, fez cursos.
Aprendeu aos poucos a ser uma boa católica.


Com o tempo Marta, passou a ministrar catequese para crianças.
Arrumou um emprego, e uma vizinha ajudava a olhar seus filhos, enquanto trabalhava.
Com o tempo, mais crescidos, seus filhos passaram a ajudar em casa.
Carlos e Heitor estudavam em escola pública, e com o tempo passaram a trabalhar fora.
Começaram trabalhando meio período, e depois passaram a trabalhar em escritórios em tempo integral.
E assim, aos poucos a vida começou a melhorar para a família.
Marta voltou a estudar, se qualificou, arrumou um emprego melhor.
Trabalhou até se aposentar como diretora de escola.
Seus filhos se formaram. 
Frequentavam a igreja. 
Cumpriam os preceitos da igreja. 
Não faltavam a missa, e só se ausentavam se estivessem doentes.   
E estavam a procura de moças que fossem católicas, e seguissem os preceitos da religião.


Nisto, Marta vendo que a conversa se estendia, desculpou-se.
Aline, mãe de Elen por sua vez, comentou que não tinha problema. 
Pediu para ela continuar contando sua história.
Com isto a conversa prosseguiu.


Marta a certa altura, comentou que a religião a salvou. 
Disse que não fosse o apoio da comunidade e da igreja, talvez não tivesse conseguido superar as dificuldades.
Destacou que todos ajudaram.
Informou que a comunidade a auxiliou a arrumar trabalho, bem como a encontrar alguém de confiança, para cuidar de seus meninos enquanto trabalhava. 
Incentivaram-na a voltar a estudar.
Animada, chegou a convidar Aline a participar de uma missa.
A mulher ficou de pensar no assunto.


Com tempo, acabou convencida, e Aline participou de uma missa onde levou a família.  

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog