Andava pela praia perdida em pensamentos, a pensar em sua vida, em suas penas.
Naiara contemplava o mar arrebentando em ondas e espuma, com seus reflexos dourados, irradiados do sol que se debruçava sobre as águas.
Mar azul em contraste com o céu dourado do amanhecer.
Naiara caminhava e chorava lembrando de suas mágoas.
De sua dor, de seu pesar.
Também recordava de suas alegrias, de suas paixões.
Pelo mar, pela vida, pelas pessoas.
Dos momentos felizes que viveu, e dos tristes também.
Ficava a pensar em seus relacionamentos fracassados.
Agora tinha mais um para completar a coleção.
Pensou no que havia errado desta vez, para tudo se acabar da forma como havia terminado.
Em sua memória, Naiara passou em revista seus antigos relacionamentos.
Ao menos algum deles.
Lembrou-se de um namoro de adolescência.
Cássio, lhe dissera certa vez, que estava cansado de mulheres grudentas, e que não aguentava mais as desconfianças dela.
Viviam brigando como cão e gato, já dizia sua mãe Sandra.
Brigavam, ficavam algum tempo separados, e depois voltavam.
A mulher conhecia o garoto, pois de vez em quando visitava a menina, em sua casa.
Sandra comentava que era um namoro iôiô, com muitas idas e vindas.
José, seu pai, não gostava de nada disso, mas Sandra sempre dizia que aquele era um namorico de criança, e que não havia problema, pois sempre estava de olho neles.
O homem pedia insistentemente, para a mulher ficar atenta.
Sandra dizia para ele não se preocupar, pois estava de olho.
Naiara, por sua vez, na época uma adolescente, ao ouvir as críticas do rapaz, comentou que iria parar de fazer cenas de ciúmes, que iria mudar, e que ele não precisava mais se preocupar.
Mas o garoto não queria saber, e depois de uma série de brigas, acabou terminando com ela, por esse motivo.
Naiara ficou arrasada, pediu para ele não desistir dela, mas não adiantou.
A ela a tristeza e as lágrimas.
Com efeito, em menos de uma semana, o garoto já estava saindo com outra menina.
Naiara ao ver a cena, ficou desapontada.
Cássio estava de mãos dadas com outra garota.
A moça viu a cena, mas o rapaz não percebeu que era observado por ela.
Estava entretido com a nova namorada.
Tocava no rosto da garota, conversava e chegou em dado momento, a beijá-la.
E Naiara, desconsolada ao ver a cena, chorou, e disse para si mesma, que nunca mais iria querer saber de alguém.
Sair correndo da quadra onde o casal estava, e foi para o banheiro.
Lá se trancou e começou a chorar.
Depois lavou o rosto, olhou para o espelho, e saiu do local.
Após as aulas, a moça entrou em seu quarto, fechou a porta, e voltou a chorar.
Enquanto pensava nisto, e recordava deste namoro, Naiara caminhava na beira da praia.
Observava o dourado do céu, refletido nas águas, que reluziam.
O mar e o céu estavam deslumbrantemente lindos, pensou.
E este pensamento a consolou.
Constatou que nem tudo se reduz a tristezas, pois a vida é feita de contrastes.
Com efeito, lembrar das cenas de choro por causa do garoto, a fez corar.
Naiara chegou a conclusão do quanto aquilo era ridículo.
Chegou até a achar graça.
Tanto que começou a rir sozinha.
Pensou: “Nós quando somos adolescentes somos tão dramáticas e ridículas!”
As pessoas que estavam por perto, por sua vez, começaram a olhar para ela.
Naiara então, tentou se conter.
E assim, continuou caminhando.
Naiara ficou então, observando a imensidão do mar, e percebeu que ao olhar aquela enormidade de água, alguns de seus problemas diminuíam de tamanho.
Tudo parecia relativo diante da imensidão do mar, da imensidão da vida.
E nisto, continuou pensando na vida.
Naiara então, recordou-se ainda de mais uns, dois ou três relacionamentos que terminaram de forma semelhante.
Ora os moços alegavam que ela era muito grudenta; ora simplesmente aprontavam com ela; e em alguns casos, por vezes sumiam e voltavam sem dar explicação.
Simplesmente reapareciam como se nada tivesse acontecido.
Naiara durante algum tempo, chegou a pensar que o problema era ela.
Pensou, por que escolhia tão mau seus namorados.
Será que ela tinha como se fala: “O dedo podre?”
Pois segundo seu pensamento, só atraía tranqueiras.
Recordou-se que um deles começou até bem, pois o rapaz parecia bastante interessado.
Falava que ela era muito bonita.
Levava ela para sair, dançavam, jantavam, para dançar, iam ao cinema.
Era atencioso.
Sempre que saíam para comer, o rapaz ajeitava a cadeira para ela sentar-se, depois ele se sentava. Atento, sempre prestava atenção no que ela falava.
Com efeito, no início, o namoro era a dois.
Com o tempo, o casal passou a conviver com os amigos de Roberto.
Por diversas vezes, o casal acompanhava um grupo de amigos do rapaz.
Iam ao cinema com os amigos dele, as festas com os rapazes.
Enfim, nos últimos tempos de namoro, faziam quase tudo em turma.
Até quando iam viajar, o bando ia junto.
Naiara com o tempo, passou a se incomodar com isto.
Brigaram por diversas vezes, pois a moça queria ficar a sós com ele, mas o moço raramente estava disposto a ficar somente com ela.
Dizia que seus amigos eram os maiores incentivadores do namoro, e que não poderiam abandoná-los, só por que estava namorando.
Naiara comentou que ele não precisava abandonar os amigos, apenas precisava dedicar um pouco mais de tempo para ela.
Roberto discordou.
Comentou que ela o estava colocando contra a parede, e assim, em dado momento, respondeu que se ela não conseguia entender suas amizades, era melhor colocar um ponto final no namoro.
Naiara ficou perplexa:
- Como assim?
Roberto foi inflexível.
A moça, percebendo que não haveria diálogo, perguntou se ele tinha certeza do que estava fazendo.
O rapaz disse que sim.
Ao ouvir isto, Naiara respondeu:
- Então tá! Está tudo terminado entre nós! Cada um segue seu caminho!
Roberto ficou espantado.
Não esperava que ela fosse concordar com o término do namoro tão rapidamente.
- Como assim? Não vai protestar, brigar? Você sempre implica com os meus amigos, mas no final acaba concordando que está exagerando. Agora vai ser diferente?
Naiara respondeu que estava cansada de brigar.
Perguntou novamente, se ele estava certo de ficar com os amigos, se não iria mudar de ideia.
Roberto respondeu que não.
Naiara, num momento de muita lucidez e serenidade, disse que então estava tudo bem.
E que não criaria caso, e que iria embora naquele momento, para não incomodar a ele e seus amigos.
Irônica, comentou que para uma pessoa grudenta, até que ela estava sendo legal.
O moço surpreendentemente concordou.
Nem parecia a Naiara, que sempre discutia por causa de seus amigos.
A moça que ele, Roberto, acusava de ser ciumenta e grudenta, além de chata.
E ela acabava cedendo, e aceitando as regras do moço.
Com isto, Roberto então ofereceu-lhe uma carona.
Naiara aceitou, pegou suas coisas e voltou para casa.
Antes porém, despediu-se do moço.
- Adeus! - disse.
Entrou em sua casa.
Roberto ainda esperou por algum tempo, depois foi embora.
Voltou para falar com seus amigos, e comentou que havia terminado o namoro.
Contou que ficou surpreendido com a calma de Naiara.
Seus amigos responderam que era melhor assim, e que o namoro não estava funcionando.
Salientaram que Naiara era uma pessoa legal, mas muito grudenta, e que não dava folga para ele.
Contudo, o término não foi fácil.
Naiara sentiu-se frustrada, pois Roberto, nem sequer tentou negociar a convivência com os amigos. Simplesmente priorizou os amigos, em detrimento da relação.
Pensou: “Para ele, eu sou a última pessoa na sua escala de prioridades.”
Por algum tempo, Naiara ficou chateada e magoada com ele.
Depois, o tempo que é o senhor da razão, sanou ainda que um pouco, a dor.
Tempos depois, a moça viu o rapaz com uma garota, e cercado por seus amigos.
Pensou: “Esse aí, não muda mesmo!”
Chegaram até a se cumprimentarem, mas não passou disso.
Depois de um certo tempo então, Naiara voltou a namorar.
Henrique, no entanto, era focado no trabalho.
Contudo, no começo do relacionamento, até que era atencioso.
Combinaram vários passeios, fizeram caminhadas, algumas trilhas, passeios em parque, almoçaram juntos.
Foram a restaurantes, cinema, teatro.
Até viajaram algumas vezes.
No começo do namoro, o rapaz mandava mensagens carinhosas, ligava para ela, algumas vezes ao dia.
Prestava atenção no que dizia, era gentil.
Presenteava a moça com bijouterias delicadas, flores, roupas.
Porém, o excesso de trabalho, fez o moço se afastar de Naiara.
Vira e mexe desmarcava compromissos.
Henrique sempre dizia que surgiu um trabalho de última hora, e que ele não podia perder a oportunidade.
Nas primeiras vezes que em isto aconteceu, Naiara entendeu, afinal o rapaz precisava ganhar dinheiro.
Com o tempo porém, isto começar a pesar, pois raramente o moço estava disponível para saírem juntos.
Este fato passou a ser motivo de briga entre eles.
Até que em dado momento, Naiara viu uma mensagem no celular do moço.
Era uma garota que estava procurando-o para tomar um chopp.
Naiara ao ouvir o sinal de mensagem, pegou o telefone, desbloqueou-o e leu a mensagem.
Mas não era uma mensagem de trabalho, era nitidamente um encontro.
A moça então, confrontou Henrique, que inicialmente, tentou desconversar.
Por fim, sem ter como negar, confessou que estava saindo com outra pessoa, e que não tivera coragem de contar.
Naiara deu um tapa na cara do moço, e disse que ele nunca mais a procurasse.
Mencionou que ele era um escroto, um cretino, mentiroso, canalha e safado!
Henrique ouviu tudo calado.
Pediu desculpas, disse que lamentava que as coisas chegassem a esse ponto, mas assumiu que estava gostando de outra garota.
Naiara comentou então, que fizesse bom proveito, mas não ficaria surpreendida se a garota fizesse com ele, a mesma coisa que ele estava fazendo com ela.
Henrique rebateu, dizendo que ela não faria isso.
Naiara respondeu dizendo que talvez fosse ele próprio que fizesse isto com a moça.
Por fim, disse que os dois se mereciam, e que o término do namoro era um livramento para ela.
Nisto, saiu do apartamento do moço.
Henrique perguntou se ela não queria uma carona, mas Naiara respondeu que não.
Saiu do prédio, e no caminho começou a chorar.
Pensando nas desculpas do rapaz, Naiara percebeu que era nítido que alguma coisa estava errada, mas ela boba, não havia percebido.
E assim passou a se perguntar o tempo todo como havia sido tão burra.
Passou a sentir raiva de si mesma, e prometeu que nenhum homem a enganaria, do jeito que ele a havia enganado.
Chateada, Naiara, ficou um bom tempo sem pensar em namoro.
Nisto, enquanto caminhava, Naiara pensou que nos três namoros, já havia sinais de que algo estava estranho, mas ela demorou para perceber.
Enquanto pensava, aproveitou para molhar seus pés na água, que por sinal, ainda estava fria.
Naiara continuou caminhando e pensando em seus relacionamentos.
Recordando-se de seus namoros, Naiara, lembrou-se do último namoro.
Lembrou-se que no último relacionamento também teve traições.
Por várias vezes, Naiara viu o namorado outras mulheres.
André também usava a desculpa de que estava trabalhando, para marcar encontros em outras mulheres.
Por duas vezes viu o moço com diferentes garotas, e foi brigar com André.
No começo ele desconversava, e procurava levar a namorada para outro local, tentando desfazer a má impressão, pedia desculpas, dizia que ela havia entendido tudo errado, que não era nada demais.
André tentava contornar a situação.
Naiara por sua vez, dizia não acreditar no moço.
Brigava e dizia que o namoro havia terminado.
E André ficava atrás da moça, pedindo desculpas e tentando retomar o namoro.
Com o tempo acabavam voltando.
E lá iam Naiara e André passear em parques, visitar alguns museus, almoçar ou jantar juntos, conversar, ir ao cinema. Passear.
Às vezes, a moça dormia na casa do namorado.
Contudo, após algum tempo, o comportamento descarado de André voltou a incomodar Naiara.
E mais uma vez, a moça viu o namorado com outra garota.
Ao ver a cena, Naiara chegou a tomar satisfações com o moço.
Arrumou briga com o rapaz, que desta vez, comentou que estava cansado de suas cenas de ciúmes.
Naiara respondeu que se ele estava cansado dela, deveria pôr um ponto final no relacionamento.
André, então virou as costas e deixou-a falando sozinha.
Ao perceber isto, Naiara gritou com ele, fazendo todos ouvirem.
Nervosa, a moça prometeu a si mesma que não falaria mais com ele.
Mas foi questão de tempo para voltarem a ficar juntos.
André então procurou-a, comentou que estava arrependido, e queria reatar o namoro.
Com a insistência, acabou convencendo-a a voltar.
Levou-a para jantar, presentou-a com flores.
Entregou-lhe alguns presentes. Entre eles, algumas joias, algumas peças de roupas, perfumes.
E assim, durante algum tempo, o moço a levava para passear, era galanteador.
André buscava a moça no trabalho.
Viajaram juntos, iam a praia, ao cinema, teatro, restaurantes, lanchonetes.
Mas isto durava até o moço avistar um rabo de saia, e aí, tudo desandava.
E em um passeio na praia, André começou a paquerar uma moça.
Naiara percebendo, perdeu a paciência, e acabou brigando com ele.
O moço por sua vez, comentou que estava cansado daquelas brigas.
Comentou ela era muito chata, ciumenta, briguenta e grudenta.
Disse que estava cansado daquelas brigas, e estava terminando o relacionamento deles.
Naiara, por sua vez, bem que tentou manter o namoro.
Disse que iria mudar.
Mas André não quis saber.
Nisto o rapaz voltou para a casa que haviam alugado, pegou sua mala e foi embora.
Naiara ficou sozinha.
Mais uma vez a moça prometeu a si mesma que não voltaria a ficar com o moço.
Com o tempo, porém, o rapaz voltou arrependido.
Mais uma vez voltaram as boas.
Até que mais uma vez, André aprontou.
Novamente arranjou outra namorada e a dispensou.
Naiara viu André abraçado a outra garota, e exigiu satisfações.
Este comportamento só lhe garantiu mais uma humilhação, já que o rapaz lhe disse que não lhe devia nenhuma explicação.
Naiara retrucou dizendo que se uma coisa ridícula dessas não exigia explicação, isso só mostrava o quanto ele era canalha, mau caráter, sórdido, e escroto.
A moça disse ainda, a quem o estava acompanhando que ficasse esperta, pois se ele estava fazendo isto, com ela, que para todos os efeitos era sua namorada; imagina o que não faria com a outra garota.
Isso por que certamente ele faria o mesmo com a moça.
A mulher no entanto, não gostou nem um pouco do comentário.
André então, puxou a moça pelo braço e entrou no restaurante.
Naiara, de cabeça baixa, saiu do local e foi para casa.
Seus pais, por sua vez, ao verem Naiara chegar em casa, perceberam que ela estava triste.
Sua mãe Sandra, perguntou-lhe o que estava acontecendo, mas Naiara disse que eram apenas problemas no trabalho, e que isto iria passar.
Diante disto, comentou que quando ela quisesse conversar, estaria pronta para ouvi-la.
Sandra por diversas vezes viu a filha triste, desconsolada por causa de namorados.
Sandra ficava inconformada com isto.
Mas José dizia que Naiara precisava perceber por ela mesma, que aquilo não estava certo.
Todavia, certa vez, incomodado com o relacionamento de idas e vindas com André, sugeriu que ela desse um basta no moço.
José comentou que não era a primeira vez que um moço a tratava mal, e que não havia criado ela para passar por isso.
José chegou a ver o casal certa vez se desentendendo em frente a casa deles.
Se Sandra não o segurasse, o homem iria tomar satisfações com o rapaz.
Naiara então, ouviu os conselhos do pai, mas disse que estava tudo bem.
Até Sandra ficou espantada com a atitude de José.
Tanto que comentou:
- Ora você tão pacato, tendo uma atitude desta?!
Mas José disse que este namoro não estava legal.
Sandra concordou.
E preocupada, mesmo não sendo uma católica praticante, passou a rezar pela filha.
Pediu um livramento, e que este namoro acabasse de uma vez.
Mais tarde, em conversas com seus pais, a moça descobriu o quanto eles ficaram preocupados com seu namoro com André, mais do que com os outros, que não foram bons, mas não foram tão destrutivos como este.
Naiara mais tarde, ao descobrir isto, pediu desculpas aos pais, por causar tanta preocupação.
A HISTÓRIA DE TODOS NÓS
CAPÍTULO 1
Comentários
Postar um comentário