A HISTÓRIA DE TODOS NÓS  


CAPÍTULO 7

 

E foi assim que Elen começou a frequentar as missas, com sua mãe.
Como fazia muito tempo que não frequentavam a missa, Aline e Elen, não conseguiram acompanhar os louvores.
Era muito tudo novo para elas.
Não conheciam a maioria das músicas. 

Mas quando a leitura mencionou o Servo Sofredor, o Homem, o Profeta, que era maltratado, humilhado, tinha sua barba arrancada, perdia sua forma humana, era desprezado pelos homens, por sua aparência repugnante, pois seu corpo era uma chaga só; isto lembrou-lhes todos os momentos em que julgaram as pessoas. 

Desde o mendigo, o maltrapilho, o pedinte.
Lembraram-se também, do sofrimento de Airton, e de todas as pessoas doentes, enfermas, que sofriam com suas doenças, suas dores. 
Pessoas que tinham muitos padecimentos, muitas dores, mortes violentas. 
Todas eram servos e servas sofredores e sofredoras.
A Leitura de Isaías no Antigo Testamento, as trouxe aos primórdios da fé, quando era Judaísta, até os momentos atuais da Igreja Católica.
Na Homilia o sacerdote, mencionou que este homem, reduzido a aparência de um verme, é uma prefiguração de Cristo. 
Jesus, o servo sofredor, o Homem das Dores.     
Ao saírem da missa, Elen e Aline comentaram entre si: 
- Como um texto tão antigo, podia fazer tanto sentido nos dias de hoje?
Perceberam que os ensinamentos da Igreja, que muitos diziam desatualizados, poderiam trazer muitos esclarecimentos para atualidade.
Aline e Elen acharam tudo muito interessante. 
E combinaram de ir na missa do próximo domingo.        
                                                         
Não obstante isto, o processo de luto foi longo.
Aconselhada por Marta, Aline começou a ouvir alguns louvores, e percebeu que o louvor ajuda a curar, a sarar algumas dores.
Elen comentou que ouviu o louvor que Marta lhe contara em seu relato.
Com o tempo, passou a entender o sentido da música.
E assim, como Marta, a canção aos poucos, foi lhe curando, pacificando seu coração.

Destacou que sua mãe Aline, também guardou a letra em seu coração, e aos poucos, conforme o tempo ia passando, foi se desarmando e entendendo melhor a música.
Entendeu que Airton estava sofrendo, e que seu penar e o da filha, estava fazendo com o homem ficasse preso naquele sofrimento.
Em certo momento, em uma oração, Aline pediu desculpas ao marido falecido, já há alguns meses. Disse em sua oração que ele estava livre, e que poderia ficar em paz. 
Que Deus o tivesse em um bom lugar, e que ela iria seguir sua vida sem ele. 
Chorando, disse que esperava que ele estivesse bem e feliz, e livre de todo o sofrimento que passou na terra.
Sua entrega foi tardia, mas válida.
Recordando-se, lembrou-se que Aline comentou que não queria carregar aquela dor para o restante de seus dias, nem aquele peso. 
Pensou no sofrimento que Airton passou, e que toda a família acompanhou, e que já era peso demais para carregar, e que não precisava prolongar aquela sensação ruim.
Em suas orações, Aline pediu a Deus para libertá-la de todo aquele peso, de todo aquele sofrimento que ficara, mesmo depois da morte do marido. 
Comentou que isto estava afetando a ela e a filha, Elen, a qual percebia que ela não estava bem, e se entristecia com isto.


Com isto, aconselhada por Marta, Aline passou a fazer parte de um Grupo de Oração.
Toda semana, comparecia no grupo para rezar o terço.  
Aline trabalhava fora, assim como sua filha Elen, e participava das missas aos domingos, e passou também, aos poucos, a acompanhar as missas em dias de preceitos também.
Por conta da doença do marido, Aline pediu uma licença em seu serviço, e passou dois anos cuidando de Airton.
Foram tempos difíceis, em que as contas eram controladas com mão de ferro por Aline, já que ela não estava trabalhando, e tampouco Airton.
Contudo, se não sobrava dinheiro, também não faltava nada em casa.
Era o que Aline sempre dizia.

Quando voltou ao trabalho, Aline foi recebida com um café da manhã e muitos pêsames e condolências.
No velório e enterro de Airton, vários colegas de seu trabalho, estavam presentes.
Todos a abraçaram, e fizeram votos para que tivesse força para atravessar este momento em sua vida.
Encomendaram uma coroa de flores, que foi entregue no local do velório.   
Acompanharam o enterro.  
    
Com o tempo, Aline aprendeu a confessar e a comungar de forma correta, pois descobriu que comungou diversas vezes em pecado mortal. 
Isto por que, comungava sem confessar os pecados.
Admirada, ao perceber a necessidade da confissão, notou que precisava aprender mais sobre a religião católica, pois era uma católica fajuta, só de fachada, dizia.
Aline aprendeu sobre a necessidade de realizar uma boa confissão.
Notou a necessidade de um bom exame de consciência.
Aprendeu mais sobre os Dez Mandamentos, sobre os Pecados Capitais, a análise de comportamento ao longo dos dias, e em que quais pecados havia incorrido.    
Enfim, a necessidade de realizar um bom exame de consciência.  
Com isso, e com tempo, Aline adotou a confissão como uma prática.   

Com o tempo também, Aline passou conhecer várias músicas católicas.
Também conheceu esta, “Hoje Livre Sou”: 

“Presença forte em mim
Eu posso dizer:
Que habitas aqui
Por que escravo(a) eu fui
E hoje eu sou
Mais livre a Teus Pés

Sentido na vida
Minh’alma encontrou
Tua Mão Poderosa
Veio e me levantou

Agora eu posso declarar:
Hoje livre sou!
Tenho sede da Tua Graça
Cada dia mais!
Sou mais forte e vou mais longe
Quando aqui Estás
Com palavras de amor
Te adoro Senhor
Hoje livre sou!

Meu Tesouro
Minha Herança
Meu Supremo Bem
Nem tribulações, nem dor
Podem nos separar
E jamais irão romper,
O que o amor selou
Hoje livre sou...”     
(Ministério Adoração e Vida)

Um dia em sua casa, varrendo os cômodos, Aline percebeu um vento e uma luz vinda da sala. Dirigiu-se ao referido cômodo, e então o vento abriu a porta, e ela foi até o quintal.
Lá estava uma ave branca e uma luz envolta nela.
Ao fundo tocava a música: “Hoje livre sou”.
Aline começou então, a chorar.
A mulher entendeu que a sua libertação daquele sentimento de profunda dor, havia chegado. 
Estava livre não apenas da dor, mas do peso do sofrimento, que tornava o fardo mais pesado de carregar.
Aline chorou muito naquela tarde, e agradeceu, pois entendeu que as coisas seriam diferentes dali por diante.  
    
E assim, Aline também foi participando das missas, aprendendo os preceitos, os dogmas.
Lendo a Bíblia, e o Catecismo, começou a perceber que a religião católica era linda, mas também tinha um propósito e coerência, embora muitos dissessem o contrário.
E em dois anos aprendeu mais sobre a religião, do que em todos os anos anteriores, e percebeu o quanto sua fé e a de sua família, era fraca.

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