A HISTÓRIA DE TODOS NÓS 


CAPÍTULO 5


Certa vez, Elen, ao vê-la triste, convidou-a a acompanhá-la em uma missa.
Naiara, em um primeiro momento recusou, mas depois, após a amiga Elen muito insistir, acabou indo.
Com efeito, já haviam conversando sobre o motivo da tristeza de Naiara algumas vezes.
Elen com o tempo, ao saber que a moça era católica, convidou-a diversas vezes, a participar de uma missa.  


E Naiara ao participar da missa, reconheceu alguns louvores e cantou junto com os fiéis e o ministério de música, algumas canções entre elas, "O Profeta":  


“Antes que te formasses dentro do ventre de tua mãe
Antes que tu nascesses, te conhecia, te consagrei
Para ser Meu profeta entre as nações Eu te escolhi
Onde te envio, irás! O que te mando, proclamarás!


Tenho que gritar, tenho que arriscar
Ai de mim se não o faço!
Como escapar de Ti, como calar
Se Tua voz arde em meu peito? (2 vezes)


Não temas arriscar-te, porque contigo Eu estarei
Não temas anunciar-me, por tua boca Eu falarei
Hoje te dou meu povo, para arrancar e demolir
Para edificar, construirás e plantarás!


Tenho que gritar, tenho que arriscar ... (2 vezes)


Deixa os teus irmãos, deixa teu pai e tua mãe
Deixa, enfim, teu lar, porque a terra gritando está
Nada tragas contigo, porque a teu lado Eu estarei
É hora de lutar, porque Meu povo sofrendo está


Tenho que gritar, tenho que arriscar ... (8 vezes). (Comunidade Recado)”


Este cântico a fez recordar-se de sua infância. 

Dos seus tempos de catequese.

Pensou: “Ainda cantam esta música?”

Com o louvor, voltou para aquele tempo e se viu novamente com doze anos, participando da missa com seus pais.       


Também em dado momento da missa cantou, "A Escolhida":


"Uma entre todas foi a escolhida
Foste tu, Maria, a serva preferida
Mãe do meu Senhor
Mãe do meu salvador


Maria, cheia de graça e consolo
Venha caminhar com teu povo
Nossa mãe sempre será
Maria, cheia de graça e consolo
Venha caminhar com teu povo
Nossa mãe sempre será


Roga pelos pecadores desta Terra
Roga pelo povo em que seu Deus espera
Mãe do meu Senhor, mãe do meu salvador ...”


Nova recordação de sua infância, e dos tempos de catequese.  


Elen, dedicada, também participava dos cânticos e das orações, acompanhando tudo, enfim, toda a missa.

E em dado momento entoou o louvor:


“Santo, Santo, Santo é o Senhor
Senhor Deus do universo
O céu e a terra proclamam a sua Glória


Bendito é Aquele que vem
Em nome do Senhor
Hosana, Hosana no alto céu
Hosana, Hosana no alto céu...”


Elen, acompanhava a homilia com atenção e devoção.  


Como no dia em que o padre, após as leituras, fez a Homilia intercalando os textos da liturgia da palavra.
Um dos textos era sobre a Samaritana que fora buscar água no poço e encontrou-se com Jesus, que lhe disse que a água que Ele oferecia não mataria uma sede passageira, mas saciaria uma sede eterna. 
Esta a água alimentaria a fome de saber, das coisas de Deus, do vazio do mundo, e das coisas mundanas.
O sacerdote então, mencionou que os Samaritanos eram mau vistos pelos judeus e mais ainda esta Samaritana, por não viver em matrimônio com outro homem.
Relatou que Jesus não discriminava a ninguém, e que o pedido para que ela O servisse de água, era para mostrar sua humildade e proximidade junto às pessoas que eram discriminadas. 
O padre ressaltou que este encontro a marcou de maneira tal, que ela saiu a anunciar o encontro. Tanto que admirados, os homens, os Samaritanos foram ao encontro de Jesus e falaram que ouviram de Sua própria boca, as palavras de vida eterna, como Pedro dizia. 
Só tu, tens palavras de vida eterna.
O padre mencionou que em outro texto, estava a murmuração do Povo de Deus, liberto da escravidão no Egito, o qual reclamava da sede, enfim, da falta de água para beber. 
Moisés, o profeta, aflito, buscou o socorro de Deus, que o orientou a usar o seu cajado para providenciar água para o povo. 
Nominou o local de Massa, Meriba, por causa do conflito ocorrido.
O sacerdote também mencionou que nós, em nossas dificuldades costumamos maldizer, murmurar, blasfemar, falar mal de Deus. 
Que nós falhamos em nossos bons propósitos, somos imperfeitos. 
Traímos a Deus, lhe sendo infiéis. Pois faltamos com o nosso compromisso com Ele, com nossas promessas.
Disse que São Paulo comenta no texto, sobre a Esperança que não decepciona. 
Mencionou que a Graça de Deus, nos mantém firmes na fé. 
Por que nossa perseverança é resultado de nosso esforço, mas é muito mais resultado da Graça do Senhor, do que dos nossos próprios esforços. Pois por nossos esforços, não somos capazes de enfrentar as dificuldades. 
Precisamos do auxílio de Deus.
E o sacerdote destacou que esta Água; não é como a água do poço, que mata a sede de forma temporária. Mas é uma Água que está a permear os textos, juntamente com a Graça, que santifica a água, alivia a sede da alma, a sede do Espírito.
E assim, no início da missa, deu-se o rito da benção e aspersão da água, sobre os fiéis.
Todos ficaram em pé para receber a benção e a aspersão da água. 


Em outra missa, Elen ouviu uma Homilia que falava sobre o Maná no deserto, que o Povo de Deus recebeu, e que Jesus menciona no Evangelho que se trata de um alimento perecível, e que quem o comer morrerá.
Contudo, o seu Corpo e Sangue Incorruptível é o alimento da vida eterna, e quem dele comer e beber, não morrerá, mas terá a vida eterna.
O sacerdote comentou que tais palavras, serviram de Pedra de Tropeço para aqueles Judeus hipócritas de seu tempo, que seguiam o Judaísmo com formalismos, e arcaísmos, mas não com o coração. 
Oravam com a boca, por meio de palavras bonitas, mas não com o coração. 
E tornavam a vida dos fiéis difícil, pois gostavam de viver de aparências.
Isto por que, interpretaram comer o Corpo de Cristo e Beber Seu Sangue, de forma literal. 
Comendo e mastigando pedaços de carne ensanguentadas. 
Neste ponto, o sacerdote mencionou o fenômeno da Transubstanciação, onde no momento da consagração as espécies do pão e do vinho, se tornam o Corpo e o Sangue de Cristo. 
Ressaltou que não se trata de um teatrinho, mas sim uma representação, ou melhor, um Memorial da Crucificação de Jesus, que é a atualizado em toda as Santas Missas, onde todos somos convidados a participar do Calvário de Jesus, e que não se trata também de um pãozinho e um vinhozinho, representando o Corpo e o Sangue de Jesus e sim, a configuração da hóstia e do vinho, verdadeiramente em Corpo e Sangue do Senhor, pelo fenômeno da Transubstanciação.   
Mas isto, salientou, que os Judeus não compreenderam. 
Foram incrédulos. 
E isto, foi uma pedra de tropeço para eles.      
O sacerdote, destacou ainda, que tais palavras também serviram de Pedra de Tropeço também para os Apóstolos, que passaram por uma dura prova, onde Jesus perguntou-lhe se queriam desistir e abandoná-lo.
Pedro por sua vez, respondeu que não poderia fazê-lo, pois dizia: “Só Tu tens palavras de vida eterna.”  
Também mencionou que Jesus era o Santo de Deus.    
Jesus acrescentou que ele falara isto, não por ele mesmo, mas por inspiração do Espírito Santo.
E o padre, acrescentou que o Espírito Santo, nos guia, o Paráclito, o Consolador Prometido. 
E nos inspira a ter sabedoria. A ter lucidez para entender os mistérios da fé, ou compreender o que é possível entender, com os nossos limitados conhecimentos.


Elen considerou então, que as duas Homilias tinham muitos pontos em comum.  
Pois ambas falavam de fontes de vida eterna, uma herança incorruptível, deixada por Jesus Cristo, em seus ensinamentos.                               


Ao saírem da igreja, como não tinha o hábito de frequentar missa, Naiara ficou perguntando a Elen, por que ela gostava tanto de ir a missa.
Elen contou então, sua história.

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