A HISTÓRIA DE TODOS NÓS 


CAPÍTULO 16         


Em outro cenário, estava uma moça muito chorosa pensando em como faria para recuperar seu amor.
Clara, aflita, já havia se humilhado, pedido para ele ficar.
Mas Roberto dizia que não.
Dizia que estava cansado daquele relacionamento, e que gostava de outra pessoa.
Clara insistiu tanto para voltar, que o homem se enervou e em dado momento, disse que sentia repulsa dela, que não entendia como uma pessoa podia se humilhar tanto.
Disse que não queria mais saber dela, e que a moça que pretendia namorar, era muito mais bonita e interessante que ela.
Cruel, Roberto, chegou a dizer que ela precisa melhorar muito, para conseguir arrumar alguém para ficar com ela.
Clara ao ouvir tais palavras, insistiu:
- Se eu me arrumar melhor, você coloca uma pedra sobre este relacionamento?
Roberto respondeu, entre indignado e pasmo:
- O que?! Eu hein! Eu não te quero nem pintada de ouro!   
Clara irrompeu em lágrimas que não cessavam, e Roberto, cansado daquela conversa e daquela história, partiu.
Clara ainda tentou impedi-lo de sair do quarto, mas Roberto segurou seu braço, empurrou-o e partiu.


A moça ficou desesperada.
Por muito tempo, Clara, ficou a segui-lo.
Nas redes sociais, criou um perfil falso e ficou a segui-lo, e acompanhar tudo o que ele postava.
Ao verificar o status de seu novo relacionamento, curtia as fotos dos passeios, jantares, almoços, reuniões com a família, tanto no perfil dele – quanto no da moça.
Clara acompanhou o namoro do casal nas redes sociais.
O noivado.
Obcecada, chegou a ficar amiga da noiva de Roberto, nas redes sociais.
Disfarçada, foi ao casamento do ex-namorado.
De longe, só chorava.


Suas colegas, Gláucia e Clarisse, ao saberem que ela seguia o namorado nas redes sociais, e acompanhava seus passos, chegando até a ir em seu casamento, ficaram pasmas.
Pensavam: “Como Clara podia se humilhar tanto assim? Onde estava seu orgulho, sua auto estima?”
Consideraram este comportamento um completo absurdo.  


Mas Clara não queria saber.
O choque de realidade só veio, quando o rapaz, depois de um ano de casado, sofreu um acidente de trânsito, tão sério, que o incapacitou.
Com o tempo e as dificuldades, a esposa o abandonou. 
Clara ao saber do acidente, descobriu o hospital onde ele estava internado, e fingindo ser uma prima, visitou o enfermo, que estava sozinho.
Ao vê-lo, seis meses depois do acidente, em uma cama, ficou horrorizada.
O homem, o qual considerava lindo, estava completamente transformado.
Deformado, desfigurado por conta do acidente, em estado vegetativo, Roberto, não podia se comunicar.
Estava desacordado, e os médicos não davam esperança de que pudesse se recuperar.
Após uma longa conversa com os médicos, a moça pediu para ver o homem mais uma vez.
Ao vê-lo, Clara pensou:
- Por muito tempo, eu te amei! Fui louca por você! Ou melhor, eu pensei que te amava! Mas agora, revendo o que eu passei tantas vezes, por sua causa: humilhações, desprezo, abandono. E eu tentando salvar a relação, e você o tempo todo me colocando para baixo! Como eu fui cega! Você nunca me amou. Você só me usou!
Neste momento lágrimas irromperam em seu rosto.
Clara recordou-se das diversas brigas que tiveram, dos ciúmes que sentia dele ao lado de outras mulheres, de como ele a comparava com as amigas dele.
Da raiva que sentia quando ele agia assim, da sua mágoa, da dor.
Em seus pensamentos, Clara, lembrou-se das poucas vezes em ele foi carinhoso com ela, e percebeu que em seus carinhos sempre havia um interesse.
Ora um agrado que ele queria ganhar, ora queria exibi-la para alguém.
Clara lembrou-se do dia em ele a apresentou a uma ex-namorada, e depois descobriu que a intenção dele era provocar ciúmes na ex.
Ao descobrir isto, por meio de uma colega, Clara brigou e se separou de Roberto.
Mas o homem, com sua lábia, acabou convencendo-a a voltar.
Clara recordou-se que não teve um relacionamento de qualidade com ele.
Conforme o tempo passava, pôs em revista todo o seu relacionamento com o rapaz.
Até que chegou a recordar-se do término, da dor que sentiu, da humilhação, pensando em tudo que havia feito e passado.
Sentiu então, vergonha de se humilhar, de segui-lo em suas redes sociais.
Sentiu-se tola, ridícula.
Pensando em tudo o que havia passado, Clara fixou seu olhar na triste figura que jazia na cama.
Neste momento foi como se um choque de realidade, lhe despertasse do torpor em que vivera por tanto tempo.
Pensou: “Como pude perder tanto tempo em um relacionamento tóxico como este? Este homem nunca me quis, e eu boba, me esforçando para agradá-lo, para amá-lo, para ser irrepreensível a seus olhos! Mas nada era bom o bastante para ele! Como eu fui boba. Até trocada por outra eu fui, e continuei obcecada por ele. Que idiota! Agora eu vejo! Que desperdício de tempo. Quanto tempo perdido!”
E assim, olhou novamente para o corpo disforme, e arrematou:
- Eu perdi tanto tempo assim, com isto?!
Foi um pensamento tão claro, que até ela se assustou, e percebendo onde estava, caminhou em direção a porta, e saiu rapidamente do quarto.
Nunca mais voltou a visitar o enfermo, e nunca mais procurou saber notícias suas.
Apagou o perfil falso que fizera, e nunca mais seguiu o rapaz e a moça, nas redes sociais.


Quando suas colegas Gláucia e Clarisse, souberam disto, convidaram-na para sair.
Disseram que precisavam comemorar.
Pois Clara havia voltado a razão, diziam.
Clara retrucou dizendo que aquilo era uma bobagem.
Gláucia e Clarisse riram.


Ainda assim, vez por outra as colegas saíam para conversar.
Em suas conversas Clara comentou que estava conhecendo a religião católica, e que isto estava lhe trazendo paz e entendimento sobre as coisas.
Clarisse ouviu com atenção, e considerou interessante.
Já Gláucia argumentou que a vida era muito curta para se preocupar com religião.
Argumentou que não tinha tempo para rezar, e que nem acreditava direito nestas coisas.
Clarisse perguntou se ela não frequentava uma igreja evangélica.
Gláucia respondeu que as vezes participava do culto, outras vezes não.
Nisto, um rapaz de outra mesa, começou a lançar olhares para ela.
Em dado momento, a moça pediu licença, levantou-se e foi ao toilette.
No caminho, o garçom entregou-lhe um bilhete.
A moça pegou e foi em direção ao banheiro.
Ao entrar no banheiro, fechou a porta e leu o bilhete.
Ao sair do recinto, a moça voltou a mesa, pediu desculpas, despediu-se das colegas e saiu do bar.
Do lado de fora, o rapaz a aguardava.
Saíram juntos.


Clara e Clarisse, por sua vez, continuaram conversando.
A certa altura dois moços ofereceram bebidas a elas, que prontamente recusaram.
Agradeceram, mas responderam que não podiam beber.
Mais tarde saíram do bar.
Clara pegou um táxi e voltou para casa.
No caminho, pensou que aquele não era um ambiente adequado para ela.           


Vez por outra, alguém soube alguma notícia sobre a mulher de Roberto e comentou com suas colegas.
Diziam que ela havia arrumado outro marido, separando-se de Roberto e seguindo com sua vida.
Clara por sua vez, não demonstrava interesse.
Também diziam que Roberto continuava na mesma situação.
Em dado momento, houve quem dissesse que o homem havia morrido.
Nem assim, Clara se interessou pela sorte do homem.
Clara por sua vez, chegava a duvidar que isto era verdade.
E dizia para as pessoas, que ele havia escolhido viver a vida dele com outra pessoa, e que ela estava seguindo a vida dela.


Clara agora, trabalhava, estudava, saía com os amigos de vez em quando, e nem sequer se lembrava do moço.
Seus colegas se admiravam com a mudança de comportamento de Clara.
Nem parecia a mesma pessoa.
De vez em quando, quando tinha um tempo livre, Clara aproveitava para ir à praia.
Viajava. 
E assim, às vezes ia à praia com algumas colegas, outras vezes, ia sozinha.
Adorava caminhar na praia e ficar pensando na vida.      


Certo dia, andando a beira-mar, Clara avistou um homem de terno e gravata observando o mar.
O homem desceu uma escadaria entrou em um dos sanitários, e trocou de roupa.
Com traje de banho caminhou em direção ao mar e mergulhou.
Clara ao se deparar com a cena, admirou-se e pensou: “Queria ter um emprego deste para poder no horário de almoço sair e tomar um banho de mar. Depois tomaria um banho de chuveiro, me arrumaria, almoçaria, e voltaria para o trabalho.”
Sentiu um pouco de inveja do homem.
Queria poder fazer o mesmo.
Nisto se levantou e continuou sua caminhada na beira da praia. 


Clara comentou isto, dias depois, conversando com uma colega de trabalho ao voltar de férias, e Gláucia, ao ouvir, começou a perguntar-lhe se o homem era bonito, se aparentava ser bem de vida, etc.
Clara disse que não havia prestado atenção em sua aparência, apenas se admirou com a cena.
A colega ficou desapontada, pois queria mais detalhes.


Nisto, Clara se despediu da colega e foi para sua mesa, começar a trabalhar.
Nisto, ficou pensando na vida, e no mar.
Como gostava de praia e de mar.
Clara ficou pensando, que quando se aposentasse poderia morar na praia.
Mas ao pensar que levaria ainda muito tempo para se aposentar, ficou um pouco decepcionada. Teria que trabalhar uns bons anos para isto.
Comentou seu desejo com Clarisse.
Clarisse sua colega, destacou que este era um projeto muito distante.
Clara concordou.
Todavia, não desistiu da ideia.
Continuou pensando no assunto e comentando com as colegas.    
Clarisse, com efeito, disse que ela deveria investir nisto, se isto era importante para ela.  
Clara mencionou que iria se programar para isto.


Com o tempo, a moça passou a frequentar uma igreja católica.
Depois de assistir uma pregação sobre Aparições Marianas no Brasil, onde em dado momento foi dito que a oração mudava o curso de uma história, e até de uma nação, foi que a jovem percebeu que poderia haver um jeito para sua vida.
Com isto, Clara prometeu a si mesma que passaria a rezar.
Este fato, porém, não se deu forma imediata.
Levou alguns dias para que ela começasse a rezar.
E assim, começou a rezar o Rosário durante a madrugada, depois de receber um convite nas redes sociais.   
Com o tempo, passou a frequentar missas.      
Com isto, Clara passou a participar de diversas missas, leu diversos livros católicos, aprendeu a importância da confissão.
E assim, passou a se confessar.
Escrevia em uma folha de papel seus pecados, de forma sucinta, para não se esquecer deles na hora da confissão.
E de fato, ao se confessar pela primeira vez, após muitos anos, sentiu um grande alívio, como um peso que foi tirado de suas costas.  


Modificou um pouco sua maneira de vestir.
Passou a falar menos palavrões.
Seus colegas, começaram a perceber a mudança.
Afinal Clara estava usando menos decote, passou a se vestir de forma um pouco mais formal e elegante, com saias mais longas, e até algumas calças sociais, e de vez em quando, sapatos de salto.
Para isto, precisou comprar roupas novas, e chegou a doar algumas roupas que estavam em bom estado, mas que não usava mais.    
A moça também passou a ser vista entretida com leituras.
Comprou uma Bíblia em tamanho reduzido para levar ao trabalho e ler.
Seus colegas começaram a perceber que ela estava diferente.
Diversas vezes perguntaram o que ela estava lendo.
Clara respondia que era uma Bíblia.


Caio, curioso perguntou onde ela havia encontrado uma Bíblia tão pequena.
A moça respondeu que encontrou o livro em uma Livraria especializada em livros católicos.
Ao ouvir isto, o moço achou muito interessante.
Outras pessoas perguntavam sobre os textos bíblicos.
Clarisse, comentou que antes de se converter ao protestantismo, era católica, mas não era praticante. Destacou que na verdade era caótica.
Ao ouvir isto, as pessoas começaram a rir.
Nisto, Clara mencionou que por diversas vezes tentou ler a Bíblia, mas desistiu por achar complicado demais.
Neste momento a moça começou a rir.
Clarisse comentou que aprendeu a estudar a Bíblia nos cultos protestantes.
Clara argumentou que esta era de fato uma falha entre os católicos.
Pois poucos conheciam a Bíblia.
Contudo, mencionou que não queria ser uma católica meia boca, não queria ser católica de IBGE. Por isto, passou a se dedicar a leitura da Bíblia.
Comentou que também estava lendo o Catecismo da Igreja Católica.
Clarisse perguntou a ela, se não achava complicado entender a linguagem da Bíblia.
Clara respondeu que sim, mas ressaltou que o livro estava comprado e que poderia ler quantas vezes fosse necessário.
Clarisse perguntou o que ela estava lendo, e a moça comentou que estava lendo os Evangelhos.
E explicou que um Anjo anunciou a Virgem Maria o Nascimento de Cristo.
E que José tencionou abandoná-la em segredo, mas em sonho o Anjo apareceu e informou sobre a origem divina de Cristo.  
Relatou também que os Reis Magos, auxiliados pela astronomia, guiados por uma estrela, foram até Herodes perguntar sobre o menino.
E o rei pediu para avisá-lo quando o encontrassem, pois queria adorá-lo.
Os Reis Magos, acreditaram que Jesus era um rei temporal, nascido em berço de ouro, em um palácio e cercado de luxo.
Mas encontraram-no em um lugar humilde, nascido pobre e sem nada, em uma gruta em meio a animais.
Tendo por berço uma manjedoura. 
Lugar onde é colocado alimento para os animais.
E prostraram-se diante do menino, e ofereceram ouro, incenso e mirra.
Onde o ouro simboliza riqueza, e realeza, a origem nobre de Jesus do tronco de Davi, sendo Rei.
O incenso a divindade, e seu papel como Sacerdote e Profeta.
A mirra, é uma resina usada para embalsamar os mortos.
Os Reis adoraram o Sumo Rei, e voltaram para casa por outro caminho, pois foram alertados pelo Anjo.
E o Rei Herodes ao perceber-se logrado, ficou furioso, e orquestrou uma matança contra crianças, meninos com menos de dois de vida para baixo.
Clara entendeu que trata-se do Massacre dos Inocentes, que se tornaram mártires, os Santos Inocentes. 
Tendo paralelo com o massacre de meninos da mesma idade, quando do nascimento de Moisés.  
E José por sua vez, alertado pelo Anjo, pegou o menino e Maria e fugiu para o Egito.
E Clara constatou que a Passagem pelo Egito que lembra os tempos de escravidão dos Hebreus no Egito, e que foram libertos por Moisés, que os conduziu a uma Terra Prometida.
Ao voltar do Egito, José, Maria e Jesus, estabeleceram-se em Nazaré.
Clara mencionou a Perda do Menino Jesus no Templo, onde foi encontrado três dias depois, conversando com os doutores da lei.
José e Maria ao vê-lo, falaram de sua preocupação.
Pois o estavam aflitos procurando-o.
E Jesus indagou-lhes: “Não sabeis que devo me ocupar das coisas de Meu Pai?”
Maria guardou isto no coração, assim como quando da apresentação de Jesus no Templo, onde o velho Simeão e Ana, conheceram o menino, e o ancião disse que uma espada de dor transpassaria o coração dela.
O sábio mencionou que o Menino seria causa de queda e soerguimento de muitos.
Como o Profeta Isaías, trata em seu livro, mencionando que a Pedra Rejeitada, tornou-se a Pedra Angular.
Clara comentou sobre o Batismo de Jesus por João Batista, e a pomba que pousou sobre Ele simbolizando o Espírito Santo.
Neste ponto Clarisse comentou que esta passagem justificava o batismo de adultos e não de crianças.
Clara argumentou que Cristo estava começando sua vida pública, e já era adulto quando começou a pregar e ensinar.
Por esta razão batizou-se na idade adulta.
Clara comentou ainda, que o Batismo é o início da vida cristã e não cabe esperar a pessoa crescer para torná-la filha de Deus.
Salientou que quanto antes se tornar cristão, melhor.
Clarisse disse que não queria discutir, mas que concordava com o que o pastor dizia, sobre a necessidade da pessoa poder escolher seu caminho.
Argumentou que Jesus não obrigava ninguém a nada.
Clara concordou.
E salientou que os católicos batizam crianças, para que desde cedo, sejam considerados filhos e filhas de Deus.
Com efeito, completou que cada religião fazia conforme achasse melhor.
Clarisse concordou.  

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