A HISTÓRIA DE TODOS NÓS 


CAPÍTULO 19


Naiara passou então, a estudar a parábola do filho pródigo.
Leu então, o texto bíblico que falava de um rapaz oriundo de uma família com muitas posses, que pediu o adiantamento de sua herança para percorrer o mundo.
Seu pai prontamente atendeu seu pedido, concedendo-lhe o adiantamento da herança.
Com isto, o filho pródigo correu o mundo, usufruiu de uma vida de luxo e excessos, bebeu, se embriagou, não só de vinho, mas também, de vícios, em meio a uma vida dissoluta.
Gastou até o último centavo da grande fortuna que recebera.
Sem dinheiro, procurou trabalho em abrigo em diversos lugares, sem êxito.
Desesperado, aceitou trabalhar em uma pocilga para ter o que comer.
Mas nem a lavagem dos porcos, tinha como alimento.
Em meio a grandes sofrimentos, lembrou-se do pai, e pensou que podia voltar para casa.
Pensou, que em sua casa teria trabalho e comida.
E assim pensando, voltou para casa.
Maltrapilho, foi avistado ao longe por seu pai, que logo que o reconheceu, correu em sua direção e o abraçou.
O filho humilhado, disse ao pai, que aceitava qualquer condição para ficar, e o pai, feliz com a volta do filho, ofereceu-lhe boas roupas, anel, banho e comida.
O irmão mais velho, ao saber disto, ficou revoltado.
Em seu entender, o irmão não merecia toda aquela festa.
Afinal ele que sempre estivera ao lado do pai, não fora tratado da mesma forma.
O pai por sua vez, comentou que tudo possuía era dele, e que estava muito feliz com a volta do filho, que acreditava que estava perdido para sempre.
Pedia então, compreensão ao mais velho.
Naiara, enquanto lia a passagem, construía mentalmente a cena, com o filho, o pai e o irmão. Pensando na parábola, comentou em pensamento, que ela era a filha pródiga, que agora voltava para a igreja, para Deus e para Jesus, após longos anos.
Naiara pensou: “Não tive uma vida dissoluta, mas não vivi conforme os preceitos da religião.
Não guardei domingos e festas, matei meus desafetos com minha mágoa e rancor.
Falei e pensei mal das pessoas.
Julgei.
Não me considero caridosa, pois muitas vezes, e até por medo, deixei de fazer atos de caridade, de dar esmolas, de ajudar.
Briguei com Deus.
Xinguei quando estava com raiva.
Murmurei, blasfemei, faltei com a confiança em Deus.“
Enfim, percebeu que tinha muitos pecados para confessar.
Pensava: “Eu não sou melhor do que o filho pródigo.
Pois cometo muitos erros …
E assim, muitas pessoas também o fazem ...
E assim, somos todos filhos pródigos!”


Pensando nisto, Naiara recordou-se de Samuel.
E da noite em que passou na casa do moço.
Onde começaram a se beijar, e dos beijos passaram a se acariciar, e nisto, subiram para quarto.
Momentos antes, Samuel começou a beijar o pescoço da moça, que tentava evitá-lo.
Nisto, Samuel perguntou se ela não queria os seus beijos.
Naiara nervosa, respondeu que não era isto.
Salientou que apenas que não era a hora.
Samuel então, beijou a boca da moça.
Nisto, Naiara empurrou Samuel, que se afastou.
Apressada, pegou sua bolsa, desceu as escadas, e saiu do apartamento do moço, sem se despedir.


Voltou para casa, e no caminho, lembrou-se que não era a primeira vez que o moço tentava uma aproximação, mas ela sempre recuava.
Desta vez porém, a atitude do rapaz foi mais direta.
Samuel ao perceber isto, mandou uma mensagem para a moça.
Na mensagem pedia desculpas para Naiara, e prometia que não forçaria ela a nada.
Mencionou que ela decidiria o momento em que as coisas iriam acontecer.
Naiara ouviu o barulho de envio de mensagem, no metrô, mas só foi ler, ao chegar em casa.     
Com isto, passou algum tempo evitando falar com Samuel.


O rapaz, percebendo isto, foi até o trabalho da moça, e ao vê-la sair, aproximou-se e comentou que iria dar-lhe uma carona.
Naiara respondeu que não precisava, mas Samuel insistiu.
A moça percebendo que outras pessoas observavam o que estava se passando, puxou o moço pelo braço, e concordou em entrar no carro.
Enquanto o moço dirigia, Naiara respondeu que estava pensando em conversar com ele, mas que estava esperando o momento oportuno.
Samuel, ao ouvir isto, retrucou dizendo:
- Eu estou tentando falar com você e mandando mensagens, há uma semana! Quando vai chegar o momento oportuno?
Naiara ao ouvir isto, pediu desculpas.
Disse que estava sem jeito para falar com ele.
Confessou que não havia retornado as ligações, por que estava sem coragem de vê-lo, pois não sabia o que dizer.
Nervosa, comentou que estava tentando ser uma católica que seguia os preceitos, que cumpria os mandamentos, e que ter relações antes do casamento, era algo que não era aprovado pela igreja. Que era considerado pecado.
Samuel ouviu e respondeu que ela já havia dito isto quando estavam se conhecendo.
Naiara um tanto constrangida, comentou que só iria se relacionar com alguém que tivesse disposto a ter um namoro santo.
Samuel respondeu que estava ciente disso.
A moça então disse:
- Eu sei que o que estou dizendo é considerado um absurdo para a maioria das pessoas! Muitos vão dizer que sexo não tem nada demais! Que ter relação não tem nada de mais. Que é algo natural! Eu sei de tudo isso! Mas hoje estou tentando ser uma católica de verdade!
Ao ouvir isto, Samuel se irritou.
Questionou a moça.
Indagou sobre por que teria que ser assim.
Por que logo com ele?
Naiara ao perceber que a situação não era confortável para o moço, comentou:
- Se isto, está sendo pesado demais para você, não tem problema! Se você quer um namoro sem esta questão, eu te libero! A gente termina por aqui, e você fica livre para namorar quem quiser!
Samuel percebeu o olhar de tristeza da moça.
Ele mesmo ao ouvir as palavras de Naiara, ficou contrariado.
Ainda irritado, comentou:
- É assim?! Você me descarta como se fosse uma roupa usada?
Naiara ficou perplexa.
Disse que não estava descartando ninguém, apenas não estava querendo ser um peso para ele, que não queria ser um fardo.
Samuel percebendo que ela continuava com o olhar entristecido, resolveu estacionar o carro.
Olhou para ela e disse:
- Desculpa! Eu não sei por que eu reagi desta forma. Você já tinha me falado sobre isto, e eu não fui enganado!
Nisto, ele a segurou pelos braços e a abraçou.
Disse que teria mais paciência com ela.
Que eles não precisavam mais falar sobre isto.
E assim, o moço levou Naiara para um restaurante.
Jantaram, conversaram.
Samuel disse que a levaria para casa, e que no dia seguinte fariam para um passeio, desde que claro, ela concordasse.
Naiara concordou.


No dia seguinte, fizeram um passeio em um parque.
Almoçaram juntos, e depois caminharam por uma avenida de São Paulo.
Após a caminhada, o moço convidou a moça para ir até seu apartamento, mas Naiara recusou dizendo que precisava ir para casa.
Samuel ficou um pouco decepcionado.
- Que pena! - respondeu.
Mas entendendo a situação da moça, emendou dizendo que a levaria para casa.
Comentou que talvez em sua própria casa, ela ficasse mais confortável.
Naiara aceitou a carona, e moço ficou um pouco em sua casa.
Conversou com os pais dela.        
Samuel, acabou jantando com a moça e os pais dela.
Sandra, desculpou-se por não ter mistura para o jantar, e sugeriu fazer um macarrão.
O moço mencionou que era uma ótima escolha.
E assim, José, Sandra, Naiara e Samuel, comeram um macarrão com molho.
Samuel elogiou a comida dizendo que estava muito boa.   
Em dado momento, quando ficaram a sós, o moço comentou que ela não precisava ficar com medo de ficar sozinha com ele.
Sandra e José saíram para comprar um pouco de sorvete.
Naiara ouviu e ficou calada.
Nisto, o moço sentou-se a seu lado e a abraçou.
Novamente pediu desculpas.
A seguir, entraram Sandra e José com uma sobremesa.
Samuel agradeceu, mas acrescentou que não era preciso se incomodar com isto.
Sandra mais simpática com ele, disse que não era nenhum incomodo fazer uma gentileza para alguém que tratava tão bem sua filha.
Samuel respondeu que não estava fazendo mais que sua obrigação.   


Com isto, o moço passou a fazer mais visitas a família.
Como Naiara ficou um pouco arredia, Samuel por sua vez, começou a se convidar para ir a casa da moça.
Disse que seus pais, já o conheciam, e que não teriam problemas.   
E assim, passou a frequentar a casa da moça.
E o moço, sempre que podia, levava flores para Sandra e Naiara, bem como alguma bebida, ou sobremesa.
Sandra adorava receber flores, e ficava muito agradecida por ele pensar na sobremesa.

  

A esta altura, Sandra e José já haviam conversado bastante com o rapaz, e a má impressão inicial já havia sumido.
A mãe de Naiara, já não desconfiava do moço, e até o elogiava para suas amigas.
Dizia que a filha finalmente havia feito uma boa escolha.
Comentava que Samuel era uma ótima pessoa.
Muito correto. Bom moço.
José por sua vez, sempre se mostrou muito amigável com o rapaz, a ponto de Sandra dizer que ele deveria conhecer melhor o rapaz, para poder avaliar melhor, se ele era uma boa companhia para sua filha.
O homem porém, sempre achou as desconfianças de Sandra em relação a Samuel, pura implicância. José sempre defendia o moço dizendo que ele era muito correto, para fazer qualquer maldade com a filha deles.
Cuidadoso, destacou que ele não ficou intimidado com Sandra, e comentou que quando Naiara se acidentou, ele cuidou muito bem dela.
Com o tempo, a mulher foi percebendo que ele era um bom moço.
Atencioso, Samuel sempre ligava para Naiara para saber se estava tudo bem, se ela havia voltado bem para casa, enfim!
Desta forma, Sandra foi percebendo que aquele não era um namoro igual aos outros que a filha tivera.
Samuel realmente gostava de Naiara e isto, a deixava em paz.
Sandra percebia isto, não pelas palavras do rapaz, mas por suas atitudes.
Samuel quando ia visitar a moça em casa, por vezes, levava algum presente para Dona Sandra, como ele costumava chamá-la.
Com isto, foi conquistando a confiança da mãe de Naiara.
Com o tempo, Sandra passou a chamar o moço de genro.
E Samuel a chamá-la de sogra.
José ficou admirado:
- Quem te viu, quem te vê! Vivia implicando com o moço, agora deixa ele te chamar de sogra!
Sandra respondia:
- Não seja implicante! Como eu vou me indispor com o namorado de Naiara, afinal ele será meu futuro genro!
Naiara ouvia isto, e ficava constrangida.
Falava que eles não eram casados para ele ser tratado como genro.
Quando ouviam isto, os três caíam na risada.
Samuel por sua vez, achava graça no constrangimento da namorada.
E assim, com o tempo, Samuel começou a considerar a ideia de se casar com a moça.  

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