A HISTÓRIA DE TODOS NÓS 


CAPÍTULO 34


Cláudio certa vez, em suas andanças, ao ver a Janice indo ao ponto de ônibus, percebeu que havia um homem, observando-a à distância.
Janice, apressada, não percebeu que era observada.
Nisto, ao ver que o ônibus se aproximava, Janice correu para o ponto.  
O homem então, ao ver a mulher entrando no ônibus, se afastou.                  


Cláudio preocupado com isto, passou a observar a mulher todos os dias.
Percebeu que depois de alguns dias, o sujeito sumiu.
Contudo, certo dia, acompanhando a esposa de longe, percebeu que o homem começou a acompanhá-la à distância.
Janice estava distraída.
Tanto que chegou no ponto, e logo em seguida o tal sujeito apareceu.
Direto, foi logo se aproximando dela, e perguntando se ela iria pegar o próximo ônibus.
Janice respondeu que não sabia.
Assustou-se com o jeito direto do homem.
Cláudio, percebendo o perigo, cumprimentou Janice.
O estranho, pediu licença e segurando o braço dela, respondeu que estava falando com a moça.
Janice ficou ainda mais assustada.
Cláudio, ao notar isto disse:
- Pois bem! Eu cheguei bem antes de você. Então por gentileza, pode soltar o braço dela, que ela é minha mulher!
O sujeito ao ouvir isto, indagou que se isto fosse verdade, por que ela estava sozinha no ponto de ônibus, aquela hora da manhã.
Cláudio respondeu que não devia satisfações para ele, mas que iria dizer, desde que ele soltasse o braço dela.
Sem alternativa, o homem soltou o braço da mulher.
Cláudio abraçou a esposa.
Nisto, comentou que eles haviam se desentendido, mas eram sim casados.
O estranho, ao notar que ele estava abraçado com a mulher, ficou irritado e se afastou.
Cláudio ainda abraçado com a mulher, perguntou se ela estava bem.
Janice, sem saber direito o que dizer, comentou que sim, que havia sido só um susto.
Cláudio então, preocupado, comentou que já havia visto aquele sujeito antes, de olho nela, e comentou que ela não devia andar sozinha por ali.
Janice comentou que provavelmente ele não voltaria.
Pediu para que ele a soltasse, já que o estranho não estava mais lá.
O esposo, preocupado, comentou que seria questão de tempo para ele voltar, já que ele estava espreitando ela.
Cláudio destacou que não iria deixá-la sozinha.
Salientou que iria esperá-la todos os dias no ponto, antes de ir trabalhar.
Janice respondeu que não havia necessidade, mas Cláudio respondeu que precisava acompanhá-la sim.
A mulher deu de ombros, e assim que o chegou o ônibus, entrou.


No dia seguinte, lá estava Cláudio, esperando-a no ponto.
Paciente, o moço fez companhia para a esposa, por muito tempo.  
Mas Janice fazia questão de ignorá-lo.
Cláudio a cumprimentava e Janice irritada, respondia secamente.
Certo dia, Janice chegou no ponto, e Cláudio não estava lá.
A mulher estranhou.
Nisto, o estranho que a abordara semanas atrás, voltou a se aproximar, e segurou os braços de Janice, que tentou se desvencilhar dele, mas não conseguiu.
A mulher se debatia, e ao ver que não conseguia se soltar, começou a gritar.
O estranho respondeu:
- Pode parar de gritar que eu estou armado! Fica quietinha que vai ficar tudo bem!
Janice tentando se acalmar, disse que não tinha muito dinheiro, mas que poderia levar sua bolsa, com tudo o que tinha dentro.
O sujeito respondeu que iria sim pegar a bolsa dela, mas destacou que não era atrás disso que ele estava não.
Apontando a arma para as costas dela, pediu para ela caminhar como se nada estivesse acontecendo.
Janice pediu para que ele não fizesse isto, que a deixasse em paz.
Disse que era pobre, não tinha dinheiro, e que ele não ia ter nenhuma vantagem levando ela dali.
Irritado, o homem retrucou:
- Você quer que eu te machuque? Para de frescura e anda. Anda normalmente, que eu vou dizer onde você deve parar.
Janice tentou argumentar, mas o homem disse que aquela conversa estava demorada demais, e a paciência dele estava acabando.
Cláudio, que havia se atrasado neste dia, viu a cena de longe.
Percebeu que era o mesmo sujeito suspeito dos outros dias.
Contudo estranhou o jeito assustado de Janice.
Parecia que ela estava chorando.          
Também estranhou as maneiras do sujeito, que parecia estar armado.
Cláudio, ao perceber isto, ligou para a polícia e pediu ajuda.
Disse que sua mulher estava em um ponto de ônibus, sendo abordada por um bandido, que parecia estar armado e ameaçando-a.
O homem pediu uma viatura com urgência, pois sua esposa estava correndo perigo.
Com isto, encheu-se de coragem e com cuidado, se aproximou.  
Como o estranho fizesse menção de sair do local com Janice, Cláudio exigiu que ele soltasse sua mulher.
Irritado, o estranho retrucou:
- Você de novo? Você pensa que colou aquela história lá? Claro que não! Se você fosse marido dela, não deixaria ela sozinha em um ponto de ônibus!
Cláudio aflito, perguntou se ele os estava espionando.
O meliante disse que havia percebido que a mulher não gostava dele.
Cláudio respondeu que era casado com a moça sim, e que ele não iria levá-la dali.
Mencionou que só por cima do cadáver dele, ela saíra dali com um estranho.
O bandido rindo, comentou que não havia problema nisto.
Janice assustada, pediu para Cláudio ter cuidado.
Foi então, que uma viatura de polícia passou pelo local.
O bandido então assustou-se e partiu.
Nisto, algumas pessoas vieram até o ponto de ônibus.
O bandido, então soltou Janice, que só não foi ao chão, por que Cláudio a segurou.
O esposo perguntou se ela estava bem, e Janice respondeu assustada, que sim.


Na delegacia, a mulher respondeu que não imaginou que o bandido teria coragem de voltar, depois que Cláudio o enquadrou.
O policial disse então, que havia um maníaco na região, que atacava mulheres com o perfil de Janice.
Comentou que ela teve sorte de não ter acontecido nada pior, pois havia mulheres que haviam sido agredidas sexualmente por ele, e duas estavam desaparecidas.
Janice ao ouvir isto ficou ainda mais assustada.
Cláudio, ao perceber que a mulher estava passando mal, segurou-a.
Ajudou-a a sentar-se.
Prestativo, buscou um copo com água, e pediu para ela bebesse.
Janice bebeu.


Quanto ao retrato falado, Janice comentou que não conseguiu ver direito o rosto do homem.
Cláudio porém, mencionou que viu, e por isto, colaborou com os policiais, descrevendo a aparência física do bandido.
Tempos depois o homem foi preso, e as duas de suas vítimas, foram encontradas mortas.


Janice, agradeceu Cláudio.
Disse que se ele não tivesse aparecido, não sabe o que teria acontecido.  
Cláudio respondeu que a culpa de tudo aquilo era dele.
Abraçando-a, disse que se ele não tivesse sido negligente com ela, eles não teriam se separado, e ela não estaria exposta daquele jeito.   
Nisto enxugou as lágrimas, e depois de algum tempo soltou-a.
Educadamente, disse que não iria pressioná-la, mas que esperaria pacientemente por ela.
Janice, se afastou.
Cláudio respondeu que a levaria para o trabalho.
A mulher tentou recursar, mas diante das circunstâncias, não teve como negar o pedido.


Com efeito, quando a mulher chegou no escritório acompanhada de Cláudio, todos os que viram a cena da mulher saindo do carro do homem, estranharam.
Alguns comentaram:
- Mas eles não estavam brigados?
Ou então:
- Janice não estava separada de Cláudio?   
Naiara e Elen perguntaram a Janice se estava tudo bem.
Nervosa, a mulher chorou.
As garotas ficaram surpresas com a reação da mulher.
Preocupadas, perguntaram o que estava acontecendo.
Janice então trêmula, tentou conversar, mas não conseguia articular as palavras com coerência.
Elen pediu para que ela se acalmasse.
Ofereceu-lhe um copo com água e açúcar.
E Janice, se acalmando, comentou o que havia acontecido.


Elen e Naiara, ao terminarem de ouvir o relato, ficaram chocadas.
Quando tempos depois ouviram que as moças desaparecidas foram encontradas mortas, ficaram horrorizadas.
Mais tarde, descobriram que as garotas resistiram ao assédio do agressor.
Testemunhas atestaram isto.
E segundo exames e laudos de peritos, as duas garotas foram agredidas, espancadas e mortas, mas não foram encontrados sinais de agressão sexual no corpo delas.
Quanto as demais vítimas, lamentavelmente foram vítimas de abuso, por parte do agressor.
Elen comentou com Naiara que ouviu notícias sobre o caso, e que talvez as vítimas fatais tenham morrido, por que se recusaram a se submeter ao agressor, que se vingou matando-as.
Naiara contou que também ouviu notícias sobre o caso.
Julgou tudo um horror, e concordou  com a amiga, que talvez as moças tenham se recusado a serem violadas, e por isto o maníaco as matou.
Elen e Naiara comentaram também, que Cláudio apesar de seus erros, estava tentando consertar o estrago que havia feito na vida de Janice, e se não fosse por ele, ela provavelmente, seria mais uma das vítimas do agressor.


Janice, porém, mesmo com toda a atenção de Cláudio, e mesmo agradecida por ele tê-la protegido em um momento de grande perigo, não parecia disposta a perdoá-lo.
Tanto que continuou alimentando a ideia de divórcio e anulação do casamento junto a um Tribunal Eclesiástico.
A mulher argumentava que houve erro de pessoa, e vício de consentimento, pois Cláudio nunca teve intenção de ser fiel a ela.
Janice acreditava que a falta de lealdade de Cláudio era motivo suficiente para a anulação de seu casamento.
A mulher disse ao advogado, que ele nunca foi o marido que ela esperava que fosse.
O advogado, ao ser consultado por Janice, comentou que a infidelidade era motivo suficiente para a separação, e até mesmo o divórcio.
Comentou até que, havendo consenso entre as partes, o processo correria mais rápido.
Com efeito, com relação a anulação do casamento junto a um Tribunal Eclesiástico, o profissional comentou que a questão seria mais complicada, e que os argumentos apresentados por ela, talvez não fossem suficientes para anular o casamento.
Janice, ao ouvir isto, ficou indignada.
Argumentou que não gostaria de ter mais nenhum vínculo com Cláudio.
O advogado, ao ouvir as palavras de Janice, pediu para ela ficar calma.
Argumentou que ela não precisaria continuar casada com ele, mas mencionou que Direito Canônico não era sua especialidade.
Cauteloso, o advogado sugeriu que ela contratasse outro profissional para a demanda, junto ao Tribunal Eclesiástico.
Janice comentou com o advogado que separar-se de Cláudio era importante, mas a anulação do casamento era fundamental.
Mencionou novamente, que não queria nenhum vínculo com Cláudio.
Magoada, respondeu que queria ver-se livre dele.
Chorando, Janice disse que não era justo ser obrigada a continuar a ter vínculo com ele.
O advogado respondeu que um profissional especializado em Direito Canônico, cuidaria melhor deste caso.
Argumentou também, que conhecia poucos profissionais que atuavam na área, e que por questões éticas, não poderia indicar nenhum profissional.
Janice entendeu.
Lúcio, disse-lhe então, que lhe daria o endereço e o telefone dos advogados que conhecia, e que ela poderia escolher o que melhor atendesse seus interesses, ou procurar outro profissional.
A mulher agradeceu.    
Janice partiu então em busca de um profissional para cuidar de sua outra causa.      


Nisto, algum tempo depois, Cláudio foi chamado ao escritório do advogado para tratar do assunto.
Ao ser ventilada a possibilidade de um divórcio consensual, o homem protestou:
- De forma alguma doutor! Se Janice quer se separar, que entre com ação judicial! Eu não aceito a separação, e se ela quer briga, eu também sei brigar!
O advogado ao ouvir isto, tentou convencer o homem a realizar um acordo.
Mas Cláudio se recusou.
Disse que não daria o divórcio.
Mencionou que Janice estava agindo de maneira precipitada, e que com o tempo, ela acabaria se acalmando.
Comentou que fora infiel, mas estava arrependido e disposto a consertar o estrago que havia feito.
Lúcio tentou argumentar dizendo que Janice não parecia disposta a mudar de ideia.
Cláudio conversando com o advogado, disse que eles não deveriam incentivar seus clientes a se separarem, e sim, deveriam aconselhá-los a se possível, manter o matrimônio.
Salientou que Janice era católica, e que isto, estava bem longe de respeitar os ensinamentos da igreja.
Ressaltou que se houvesse divórcio, ele seria litigioso.
Lúcio ficou espantado.
Insistiu para Cláudio assinar os papéis do divórcio.
Mas o homem não quis.
Argumentou que se ela insistisse no assunto, deveria partir para o procedimento litigioso, e novamente disse que não daria o divórcio.      

 

O advogado repassou a informação a Janice, que ficou indignada.
Nervosa, comentou que Cláudio estava sempre atrapalhando-a.
Argumentou que agora seria livre para ficar com Gláucia, ou quem quer que seja.
Relatou que não entendia a atitude dele.
Ressaltou que mesmo assim, não iria desistir do processo. 
Orientou o advogado a entrar com a ação de forma litigiosa.
Lúcio mencionou a necessidade dela comparecer no escritório, para uma conversa sobre o processo de separação.
A mulher concordou.  
Lúcio relatou que quando o dia fosse marcado, mandaria uma mensagem para ela com dia e horário.
Nisto, Janice agradeceu o advogado, e desligou o telefone.
E assim, no dia combinado, Janice foi conversar com o advogado.


A mulher estava determinada a se separar de Cláudio.
Relatou que o relacionamento de ambos não era bom, que o homem havia saído de casa, e logo em seguida começado um relacionamento com outra pessoa.
Destacou que a amante engravidou.
Lúcio comentou ter tomado conhecimento que a mulher sofreu um aborto, e que eles não estavam mais juntos.
Janice comentou que não estava interessada na vida de Cláudio.
O advogado comentou que todos os detalhes eram importantes, pois Cláudio com certeza usaria estes acontecimentos para tentar convencer o juiz a não sentenciar a favor do divórcio.
Janice comentou que seria tão simples eles se separarem, e que não entendia por que Cláudio estava criando tantos problemas.
Conversando, o advogado mencionou que iria preparar a petição inicial e entraria com a ação na justiça.
Janice agradeceu.
Assinou uma procuração e um contrato de honorários.
Conforme combinado, Lúcio ingressou com a ação.


Num primeiro momento foi tentado um acordo, e novamente Lúcio chamou Cláudio para uma conversa.
Cláudio foi até o escritório do advogado, e ao ser informado da entrada de Janice com o processo de separação, comentou que não iria assinar nenhum papel.
Comentou que já havia contratado um advogado, e que iria responder ao processo, assim que fosse informado sobre o andamento da ação, e sobre a necessidade de se manifestar.
Salientou que no mais, não iria assinar nenhum documento.
Lúcio respondeu que já imaginava isto.
O advogado cumprimentou Cláudio, e mencionou que precisava dar continuidade ao pedido de sua cliente.
Cláudio por sua vez, respondeu que estava seguro de que ela não iria desistir da ação, mas ressaltou que ele tinha que cumprir com sua obrigação.
Agradeceu, e retirou-se do escritório do advogado.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog