A HISTÓRIA DE TODOS NÓS 


CAPÍTULO 51


Antes disto, em uma ocasião em que todos estavam reunidos, Clarisse, ao saber que Aline era católica, assim como sua filha Elen, mencionou que o pastor de sua igreja, comentou em uma pregação, que os católicos são idólatras, adoradores de imagens.
Em seguida, perguntou por que os católicos fazem isto.
Ressaltou que isto é muito errado.
Ao ouvir isto, com muita paciência, Aline comentou que quando os católicos acendem uma vela diante de uma imagem, e rezam perante ela, não estão rezando para a imagem, ou adorando-a, ou cultuando-a. 
Mas a imagem, é a representação daquela pessoa, o Santo que de fato é venerado.
E completou:
- Pois somente a Deus se adora, e a Nossa Senhora se venera, assim como os Santos e Santas.
Nisto, Aline perguntou se Clarisse não possuía fotos em seu celular, em seu computador, talvez alguns álbuns de fotos, ou porta-retratos com fotografias de pessoas queridas.
Clarisse disse que sim, tinha muitas fotos de seus entes queridos, algumas inclusive enfeitavam sua casa em porta-retratos.
Aline respondeu então:
- Pois bem, fotografias contém muitas imagens!
- Ah! Mas é diferente! Eles não são santos, que aliás nem existem. Pois Santo somente é Deus! - retrucou.
Aline respondeu:
- Moça, imagens são imagens! Podem ser estar estampadas em uma fotografia, em uma escultura, em  uma plataforma digital. São imagens! Representam uma pessoa que está entre nós, ou que já passou por aqui. A imagem, a escultura não é a pessoa, assim como a fotografia não é a pessoa. Mas trazem a lembrança da pessoa, ali retratada. É a eles que prestamos nosso respeito e nossa veneração, e não, as imagens, que são apenas uma representação da pessoa.
Clarisse insistia que Santo somente é Deus.
Aline rebateu dizendo que sim, Deus é o Santo dos Santos.
Destacou que até a liturgia da igreja católica reforça isto.
Mencionou que não, os católicos não são idólatras por terem imagens de seus Santos de veneração, pois se venera aos Santos e não as imagens, e que as imagens são apenas uma forma de exteriorizar a devoção. 
Não para serem adoradas em si mesmas, pois assim, configuraria de fato idolatria, o que seria um pecado grave.
Salientou que se assim, o fosse, quaisquer pessoas que tivessem fotos de seus entes queridos em casa, seriam idólatras.
Mencionou que no tempo de Cristo e de muitos Santos, não havia fotos, daí a necessidade de trazer mais perto de nós, sua memória, através de imagens.
Ressaltou que na Bíblia há uma proibição no tocante o uso de imagens, por conta do bezerro de ouro. Mas a serpente de bronze esculpida para salvar os hebreus das picadas de cobra, era uma imagem, e foi autorizada por Deus.
E destacou que está no Antigo Testamento, na Bíblia.
Comentou ainda que na Arca da Aliança, também havia imagem de Querubins.
Ou seja: Imagem! Bem como no Templo do Senhor, havia imagens de grandes Anjos que se encostavam com suas asas.    
Clarisse, ainda retrucou:
- Mas tem necessidade de imagens? Pois se Deus proibiu em algum momento, é por que havia um motivo para isto!  
Ao ouvir isto, Aline respondeu:
- Não, de fato não precisa! A sua oração não se torna menos importante por falta de uma imagem de um Santo. Mas é uma demonstração de afetividade, de carinho. Somente isto. Assim como gostamos de tirar fotos com as pessoas que amamos, os católicos tem imagens em sua casa. Sem contar que este ato de devoção nos identifica como católicos. Nenhuma outra religião faz isto, da mesma forma que nós. Pode ser parecido, mas não é igual!   
Clarisse passou então, a questionar a existência dos santos na igreja.
Aline comentou que os Santos são mencionados na Bíblia, quando se refere aos apóstolos, a Nossa Senhora, como a mulher vestida de sol, com uma coroa de doze estrelas e aos pés, pisando uma serpente.
Na Bíblia existe referência a um lugar no Templo, chamado Santo dos Santos, indicando a existência de outros Santos.
Na Bíblia há referência aos mártires, que nada mais são que pessoas se sacrificam pela causa de Cristo, seguindo sua cruz. 
Bem como cita os Patriarcas, os Mártires, e os Profetas, sendo todos Santos.
E todos e todas as pessoas que habitam os céus, são Santos e Santos, pois quem não está purificado, ou purificada, não entra no Céu.
Destacou que independente da terminologia que se use, nada mais são que Santos de Deus.
Clarisse tentou argumentar que profetas são profetas e não santos.
Aline disse que Santos, são todos aqueles e aquelas que seguem uma vida segundo os preceitos de Deus.
Que procuram a pureza de intenção, fazer bons atos, obras de caridade, ser justas e justos, fugir dos pecados, seguir a causa de Cristo, tomarem sua cruz e segui-lo.
Disse que na Bíblia há referência aos Santos, como no Templo: Santo dos Santos.
Destacou que Jesus inclusive, exortava as pessoas a serem Santas, assim como seu Pai é Santo.  
Aline mencionou que havia diversas recomendações a que sejamos Santos, em várias passagens da Bíblia.
Tanto no Antigo, como no Novo Testamento.
Salientou porém, que no Catolicismo não vale somente a Sagrada Escritura, havendo registros da vida dos Santos, e farta documentação da igreja sobre isto.
Ressaltou que na Igreja, a Bíblia era algo muito importante e sagrado, como mencionado.
Mas a Igreja tem outras fontes de saber. 
Afinal, são mais de dois mil anos de história!
E a história da religião continuou a ser escrita, e a Bíblia sendo estudada, lida e meditada.
E os Santos procuravam seguir os exemplos das Sagradas Escrituras, e dando continuidade aos ensinamentos aprendidos.
Clarisse questionou então, a Santidade de Maria, a Santíssima Trindade, a natureza divina de Jesus, que é um Deus para os católicos.
Mencionou achava tudo aquilo muito estranho.
Gláucia, concordou.
Aline comentou que Maria era Mãe do Filho de Deus.
O primeiro sacrário da terra.
E sendo Jesus, Filho de Deus, puro, igual a tudo em relação aos homens, exceto no pecado, o ventre a abrigá-lo também devia ser puro.
Por isto, Maria foi escolhida para ser Mãe de Jesus, pois era pura, isenta de pecado, e humilde.
Com efeito, há poucas referências e citações a ela na Bíblia.
Mas Aline, ressaltou que ela é a Mãe das Mães, a Mãe de Deus, acima de todas as mães terrenas, que também são dignas de muita honra, pois gerar e criar um filho, é uma digna atribuição de Deus.
Mas não estão acima da Mãe de Deus, que também é nossa Mãe, como instituiu Jesus, conforme passagem bíblica.
Mencionou que do alto da cruz, Jesus disse a seu discípulo que ela seria sua mãe, dali para frente. 
E daí para ser Mãe de toda a humanidade, foi só o seguimento da disposição de Jesus.
Aline salientou ainda que os filhos não são dos pais, e sim de Deus.
A mulher respondeu que os pais cuidam dos filhos de Deus, para Deus.
E os filhos são para o mundo e não para os pais.               
Com isto, todo mundo aplaudiu as palavras de Aline.
Clarisse, então, insistiu na Santíssima Trindade.
Aline comentou que Deus era apenas um, estabelecido em três pessoas:
O Pai – que é o Deus Todo Poderoso, o Filho do Homem – Filho de Deus – Jesus Cristo, e o Espírito Santo. Estas três pessoas não enfraquecem ou dividem Deus em três.
Mencionou ainda, o Ofício da Imaculada, que em dado momento se canta:
“Que é um só Deus, em pessoas três,
Agora e sempre e sem fim, Amém!


Aline destacou que o Trevo com suas três folhas, é símbolo da Santíssima Trindade, e que a folha da planta, representa cada uma das três pessoas da Santíssima Trindade.
Ora, a folha do trevo, não fica tripartida, não se divide, e assim também é Trindade.
Desta forma, Jesus sendo verdadeiro Deus e verdadeiro homem, como o Credo Niceno-Constantinopolitano ensina, destaca que a natureza humana de Jesus, pois nascido de uma mulher em meio aos homens, não excluí sua natureza divina.
Cristo, possuí portanto, as duas naturezas.
Gerado, não criado, consubstancial ao Pai.
Por fim, em toda sua vida pública, dizia que vinha do Pai, e para o Pai regressaria. 
E que depois de partir, concederia aos discípulos o Paráclito, o Consolador, o Espírito Santo.
A Terceira Pessoa da Trindade.
Aline ressaltou que tudo isto, está na Bíblia.       
Clarisse comentou então, que a simbologia, explicava em parte o conceito, mas continuava considerando estranho, três pessoas, e apenas um Deus.
Algumas pessoas então, a criticaram.


Aline ao perceber isto, comentou que o conceito era mesmo difícil de aprender, e que este era um grande mistério, mas que aquela forma, simplificada, facilitava o entendimento.
Disse que também havia para ela coisas que era de difícil compreensão, mas que entender que se tratava de três pessoas independentes, que não se dividem, tornava as coisas um pouco mais fáceis. Comentou que quando era criança, tinha dificuldade de entender que Cristo, provinha do Pai que era Deus, mas Ele também era Deus, e não um outro deus (como os seres mitológicos).
Contou que isto, lhe trazia muitas dúvidas e confusões.
Clarisse, comentou que iria precisar de um tempo para entender.
Nisto, falou sobre a questão do batismo de crianças, de bebês.
Argumentou que as pessoas deveriam ter a liberdade de escolher qual caminho queriam seguir.
Aline ao ouvir isto, comentou que se fosse assim, deveríamos esperar os filhos crescerem para escolher se queriam estudar, em qual escola iriam estudar, qual nome deveriam ter, etc.
Ao ouvirem isto, as pessoas começaram a rir.
Clarisse ficou sem argumento.
Nisto, Aline acrescentou:
- É por isso, que os católicos batizam as crianças, os bebês. O Batismo é um dos Sacramentos que estabelece a filiação, a pertença a Deus, é proteção, e indicativo de que é um Católico. Ora, se é uma proteção, a porta de entrada na Religião Católica, qual o por quê de tanta espera? Batiza logo, e logo se estabelece o vínculo como filho, ou filha, de Deus. Não tem por que esperar, o Batismo, é uma benção, e bençãos não se negam. Se distribuí logo.                                   
Gláucia perguntou então, sobre o Purgatório.
Comentou que esta era uma invenção da Idade Média, e que não tinha comprovação na Bíblia de sua existência.
Aline comentou que no Livro de Macabeus, que são dois Livros excluídos da Bíblia Protestante, há uma passagem em que são prestadas homenagens póstumas aos falecidos em uma Batalha, para que sua memória não fosse vilipendiada.
Judas Macabeu, fazendo uma obra de caridade, procurou fazer com que as almas dos mortos em batalha, ficassem em um bom lugar.
Destacou que de fato, na Bíblia não há referência especificamente à palavra Purgatório, mas se verificando a prática piedosa, se constata que a justa preocupação de Judas Macabeu, é relativa ao estado das Almas após a morte, o cuidado com seus despojos, e a preocupação com as Almas dos mortos.
No caso da passagem, que trata dos mortos em uma batalha com os Macabeus.
Assim, foram oferecidos sacrifícios em sufrágio das Almas do Purgatório.
Aline comentou que nem tudo estava literalmente especificado na Bíblia, mas aprendendo os conceitos, se verifica a correspondência entre os temas e os assuntos.
Gláucia comentou que isto era invocação dos mortos.
Aline respondeu que não.
Destacou que invocação é um chamamento.
Com efeito, relatou que nas orações em sufrágio das Almas do Purgatório, se reza em intenção delas, mas não se cita nomes, não se fica falando nomes, chamando-as.
Aline ressaltou que invocar é chamar, e não apenas mencionar alguns nomes.
Mencionou que não havia problemas em rezar pelas Almas do Purgatório, já que elas não podem mais rezar por elas mesmas, mas podem rezar por nós.
Salientou que esta é a Comunhão dos Santos, onde uns intercedem pelos outros.
Ou seja: Os Santos no Céu (Igreja Triunfante), rezam pelas Almas do Purgatório (Igreja Padecente), e por nós da terra (Igreja Militante).
As Almas do Purgatório rezam por nós; e nós da terra, rezamos pelas Almas do Purgatório, e por nós mesmos, enquanto humanidade, pedindo a intercessão dos Santos.
E assim, uns rezam pelos outros.
Aline salientou que o Purgatório não é invenção da Idade Média, pois o Céu é um lugar para pessoas santas e puras.
Sede perfeitos, como Meu Pai é perfeito, como disse Jesus no Evangelho.
O Céu é para pessoas perfeitas.
Não sendo perfeito, não tem como se entrar no Céu.
Aline mencionou ainda, que o caminho da perfeição é difícil, e que nem todos irão direto ao Céu, mesmo sendo Almas Santas, por que precisam se purificar.
Destacou que não houvesse o Purgatório, morrendo e não estando purificado ou purificada, as pessoas iriam direto para o Inferno, onde não haveria perdão.
Algumas pessoas ao ouvirem isto, ficaram horrorizadas.
Elen por sua vez, comentou que se tratava da Misericórdia de Deus.
Disse que Deus não queria que ninguém se perdesse.
E assim, disponibilizou meios para as pessoas se salvarem.
 


Clarisse ao ouvir isto, comentou que fazia sentido.
Nisto, perguntou da Eucaristia.
Mencionou que ouviu falar que os católicos entendem que ali está literalmente o Corpo e o Sangue de Cristo, que não se trata de uma simbologia.
Aline respondeu que pelo fenômeno da Transubstanciação, o Sacerdote consagra as espécies do pão e do vinho, e assim são o Corpo e o Sangue de Cristo.
Destacou que não é uma representação.
E de fato, é o Corpo e o Sangue de Cristo.
Salientou que este é um Dogma, Verdade de Fé, não cabendo ser questionado.
Destacou que não quer dizer que a pessoa seja antropófaga, coma carne humana e beba sangue, mas ali na hóstia e no vinho estão o Corpo e o Sangue de Cristo.
Aline salientou que existem Milagres Eucarísticos que comprovam isto.
Hóstias que se converteram no Corpo de Cristo, correspondendo ao músculo cardíaco, e analisando-a, identificaram que era o coração de alguém que havia sofrido muito antes de morrer.
Como no Milagre de Lanciano, entre outros.    
Nisto, Marcos comentou que a conversa estava muito boa, mas que eles estavam ali para conversar, confraternizar, e não para debater religião, ou polemizar.
Clarisse concordou.
Disse apenas, que iria pensar no assunto, pois o que Aline lhe apresentou era algo diferente do que seu pastor lhe havia disto nos cultos e nas pregações.
Aline disse que sim, que ela deveria estudar sim.
Gláucia ficou inconformada, mas com a intervenção de Marcos, não caberia continuar discutindo a questão.


Marcos então segurou Aline pela mão, e a levou para outro ambiente.
Comentou que ela teve muita paciência com as duas garotas.
Relatou que aquilo estava ficando muito chato, e que as pessoas deviam respeitar o partido de crença uma das outras.
Aline comentou que não havia problema.
Salientou que já estava acostumada com tais questões.
Destacou que ele não precisava se incomodar com isto.
Nisto, ela beijou o homem, que correspondeu.  

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